Todo mês, a mesma linha aparece no relatório de resultados: perdas por fraudes. O valor já está previsto, a diretoria conhece o número e, em algum momento, ele deixa de provocar surpresa. Mas até que ponto a fraude deve ser tratada como um custo operacional e quando passa a representar uma vulnerabilidade que a empresa está simplesmente escolhendo manter?
Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a forma como uma empresa administra o risco. Reconhecer que perdas acontecem faz parte de uma gestão madura. Transformar prejuízos recorrentes em algo natural, sem investigar suas causas e sem avaliar quanto poderia ser evitado, é outra história.
O problema não está necessariamente em colocar uma perda na planilha, mas quando esse valor entra no orçamento e sai de uma visão estratégica. A partir daí, o número pode continuar crescendo enquanto a empresa se acostuma com ele.
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O que significa tratar fraude como custo operacional?
Em qualquer negócio, existem despesas que fazem parte da própria operação. Energia, infraestrutura, manutenção, logística, processamento, pessoal e tecnologia são alguns exemplos de custos necessários para manter a empresa funcionando.
As fraudes, porém, possuem uma característica diferente, pois não são um recurso consumido pela operação. São perdas provocadas por comportamentos, vulnerabilidades ou ações deliberadas que podem, em muitos casos, ser reduzidas por meio de controles, monitoramento, investigação e mudanças nos processos.
Isso não significa que toda perda por fraude possa ser eliminada. Em operações grandes e complexas, algum nível de exposição pode ser economicamente aceitável. Depende do apetite a risco de cada organização. A questão é saber se essa decisão foi realmente tomada ou se a empresa apenas se acostumou com o prejuízo.
Existe uma diferença importante entre aceitar conscientemente um risco e normalizar uma perda porque ninguém parou para investigar sua origem.
Quando uma perda recorrente deixa de ser exceção?
Imagine uma empresa que perde R$ 2 milhões por ano com um determinado tipo de fraude. No primeiro ano, o episódio provoca uma investigação, no segundo, o valor volta a aparecer e, no terceiro, alguém começa a chamar aquilo de “perda esperada”.
O número passa a fazer parte do planejamento financeiro. A área de riscos continua acompanhando, mas a urgência diminui. Afinal, aquela perda já estava prevista.
Nesse momento, uma pergunta deveria aparecer: o que estamos fazendo para que essa perda não continue acontecendo?
Uma perda recorrente não é necessariamente uma perda inevitável. Ela pode indicar que o fraudador descobriu uma vulnerabilidade que continua aberta, que determinado controle não funciona ou que a empresa ainda não compreendeu completamente o modus operandi utilizado.
O problema de transformar fraude em “custo do negócio”
Quando uma perda passa a ser encarada como parte normal da operação, algumas coisas começam a mudar silenciosamente. A primeira é a percepção de urgência. Um incidente deixa de ser tratado como algo que precisa ser compreendido e passa a ser uma despesa a ser contabilizada.
A segunda é a qualidade da discussão executiva. Em vez de perguntar “por que isso está acontecendo?”, a organização pode passar a perguntar apenas “quanto foi a perda neste trimestre?”.
A terceira é a própria alocação de recursos. Se a fraude já está contemplada no orçamento, pode parecer mais difícil justificar investimentos em investigação, inteligência, controles ou tecnologia para reduzir o problema.
O risco é criar uma situação em que a empresa aceita pagar pela fraude, mas não necessariamente sabe quanto custaria reduzir essa conta.
Como a velocidade da detecção ajuda a mitigar o prejuízo
Segundo o relatório da ACFE, quanto mais tempo um esquema de fraude permanece ativo, maior tende a ser a perda. A duração mediana dos casos analisados foi de 12 meses.
O levantamento também mostrou que fraudes detectadas rapidamente apresentavam perdas menores do que aquelas que permaneciam ativas por períodos mais longos.
Isso ajuda a mudar uma percepção comum. Às vezes, o investimento em detecção é questionado porque “não evita que a fraude aconteça”. Mas detectar rapidamente pode impedir que uma ocorrência de R$ 50 mil se transforme em R$ 500 mil.
Custo invisível da fraude: não saber o que aconteceu
Há ainda uma consequência menos evidente quando a empresa simplesmente absorve uma perda, já que a organização perde a oportunidade de aprender com o próprio incidente. Sem uma investigação adequada, a liderança pode saber quanto perdeu, mas não saber:
- Como a fraude começou;
- Qual vulnerabilidade foi explorada;
- Quem participou;
- Se houve colaboração interna;
- Se existem outros casos semelhantes;
- A exposição de outras áreas;
- Se o mesmo método pode ser utilizado novamente.
Nesse cenário, uma investigação bem conduzida pode transformar uma ocorrência em conhecimento sobre o risco.
Combater fraudes também tem um custo
Ao invés de olhar para as perdas por fraudes como custo operacional, esse é um contraponto que precisa ser considerado. Afinal, prevenir fraude custa dinheiro. Monitorar custa dinheiro. Criar controles custa dinheiro. Treinar pessoas custa dinheiro. Investigar custa dinheiro.
Nenhuma estratégia séria de gestão de riscos deveria ignorar essa realidade. A pergunta correta não é simplesmente “quanto custa combater fraude?”. É: “Quanto custa manter o nível atual de fraude e quanto custaria reduzi-lo?”
Essa comparação permite sair de uma discussão abstrata e entrar em uma análise de negócio. No entanto, vale destacar que nem toda fraude precisa ser eliminada a qualquer custo.
Pode existir uma situação em que uma determinada fraude gere R$ 30 mil de perda anual, enquanto o controle necessário para eliminar completamente aquele risco custaria R$ 300 mil por ano. Nesse caso, talvez não faça sentido econômico buscar um risco menor.
A empresa pode decidir aceitar aquele nível de exposição. Isso não é necessariamente uma falha. Se a organização conhece a perda, entende sua causa, avalia alternativas e decide conscientemente aceitar determinado nível de risco, existe uma decisão de gestão.
Veja mais: Orçamento empresarial: como definir investimento antifraude
Gestão inteligente de riscos e apetite ao risco
Uma organização madura não tem que eliminar todos os riscos. Na verdade, precisa saber quais riscos possui, qual é sua exposição e quais consequências pode suportar. Os gestores e líderes devem, na prática, conseguir responder perguntas básicas:
- Quanto estamos perdendo?
- Por que estamos perdendo?
- O problema está crescendo?
- Quais são os principais mecanismos utilizados?
- Quanto poderia ser evitado?
- Conseguimos recuperar algum valor?
- Quanto custa reduzir essa exposição?
Quais indicadores devem ser mapeados pela gestão?
O valor da fraude é um indicador importante, mas não deveria ser o único. Uma gestão mais estratégica pode acompanhar:
Perdas por fraude: quanto foi efetivamente perdido.
Perdas evitadas: quanto deixou de ser perdido graças aos controles.
Valor recuperado: quanto retornou para a organização.
Tempo de detecção: quanto tempo a empresa leva para descobrir um esquema.
Recorrência: quantos casos repetem padrões conhecidos.
Vulnerabilidades identificadas: quais falhas permitiram a fraude.
Vulnerabilidades corrigidas: quantas foram efetivamente tratadas.
Tempo de resposta: quanto demora entre a identificação e a ação.
Esses indicadores contam uma história mais completa e, em vez de apenas mostrar quanto a empresa perdeu, mostram o que ela está fazendo para perder menos.
Fraude como problema de negócio
A fraude não é apenas uma questão da área de combate a fraudes. Pode afetar margem, crescimento, experiência do cliente, reputação, segurança, continuidade e capacidade de expansão.
Uma empresa que perde dinheiro de forma recorrente precisa considerar se essa perda está sendo incorporada ao preço, reduzindo margem ou sendo repassada para outras partes da operação.
Em determinados setores, o custo pode chegar ao consumidor. Em outros, pode comprometer investimentos. Por isso, combater fraude é também proteger a sustentabilidade do negócio.
Leia também: Fraude como risco estratégico: por que o board precisa estar envolvido?
Como decidir se a perda por fraude deve ser aceita como custo operacional?
Uma forma práticaé colocar cinco perguntas sobre a mesa.
Primeiro: qual é o valor real da perda?
Segundo: qual é a frequência e a tendência desse problema?
Terceiro: sabemos exatamente como a fraude acontece?
Quarto: quanto custaria reduzir a exposição?
Quinto: quais são as consequências de não fazer nada?
Uma empresa pode descobrir que o investimento para reduzir uma perda é alto. Mas também pode descobrir que o custo de manter a vulnerabilidade aberta é muito maior. Sem fazer essa comparação, qualquer decisão será baseada em percepção.
Como a GIF International pode ajudar sua empresa
Combater fraudes não significa apenas criar mais uma camada de controle. É preciso entender onde estão as vulnerabilidades, como os esquemas funcionam, quais sinais merecem atenção e quando uma ocorrência precisa sair do campo operacional e se transformar em uma investigação.
A GIF International combina inteligência, investigação e experiência operacional para apoiar empresas na prevenção, detecção e investigação de fraudes, ajudando a transformar informações dispersas em evidências e decisões.
Se a sua empresa já contabiliza perdas por fraude todos os meses, talvez a pergunta mais importante não seja “quanto perdemos?”, mas “quanto dessa perda ainda estamos aceitando sem investigar?”
Fale com a GIF International e avalie como uma abordagem integrada pode ajudar sua empresa a reduzir a exposição a fraudes.
FAQ — Fraude como custo operacional
Fraude pode ser um custo operacional?
As perdas decorrentes de fraudes podem ser registradas contabilmente como despesas ou perdas da operação, mas isso não significa que devam ser tratadas como um custo operacional inevitável. Quando a fraude é recorrente, crescente ou associada a vulnerabilidades conhecidas, a empresa deve avaliar suas causas e o potencial de redução das perdas.
O que são perdas por fraudes?
Perdas por fraudes são prejuízos financeiros ou econômicos provocados por ações fraudulentas. Podem envolver dinheiro desviado, pagamentos indevidos, mercadorias não entregues e outros impactos relacionados a fraudes internas ou externas.
Por que tratar fraude como custo do negócio pode ser perigoso?
Porque essa mentalidade pode reduzir a percepção de urgência. Se a perda já está no orçamento, a organização pode deixar de investigar por que ela acontece e quais medidas poderiam reduzi-la. O risco é transformar uma vulnerabilidade em uma despesa considerada normal.
Toda perda por fraude precisa ser eliminada?
Não necessariamente. Em algumas situações, o custo para eliminar completamente determinado risco pode ser maior do que a própria perda. O importante é que a empresa avalie o risco, o impacto, as alternativas de mitigação e o custo dos controles antes de decidir conscientemente aceitar determinada exposição.
Como saber se uma perda por fraude é realmente inevitável?
É preciso analisar a frequência das ocorrências, seu crescimento, os métodos utilizados, as vulnerabilidades exploradas e a efetividade dos controles existentes. Também é importante avaliar quanto custaria reduzir a exposição. Sem essas informações, é difícil afirmar que determinada perda seja realmente inevitável.
Qual é o verdadeiro custo de uma fraude para uma empresa?
O prejuízo financeiro direto é apenas uma parte da conta. Também podem existir custos de investigação, recuperação de ativos, paralisação de processos, atendimento a clientes, revisão de controles, ações jurídicas, impactos regulatórios e danos reputacionais. Por isso, o custo total pode ser muito maior que o valor originalmente perdido.
Por que investigar uma fraude que já aconteceu?
Uma investigação pode ajudar a entender como a fraude aconteceu, quais vulnerabilidades foram exploradas, quem participou e se existem outros casos. Além disso, os resultados podem contribuir para recuperar ativos, corrigir processos e reduzir a possibilidade de reincidência.












