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embedded finance

Embedded finance: como empresas estão incorporando operações financeiras

Saiba quais riscos de fraudes, compliance e operações precisam ser considerados.
  • 7 de maio
  • 2026
  • 6 min

O avanço do embedded finance no Brasil está mudando, de forma silenciosa e rápida, a forma como serviços financeiros são distribuídos no mercado. Hoje, empresas que nunca foram bancos estão oferecendo contas digitais, crédito, seguros e soluções de pagamento dentro da própria jornada do cliente.  

Tal movimento não é pontual. É estrutural. De acordo com relatório do Future Market Insights, o mercado global de embedded finance deve ver o aumento de sua receira de US$ 85,8 bilhões em 2026 para US$ 370,9 bilhões até 2036, registrando uma taxa de crescimento anual de 15,8%.   

Esse cenário é impulsionado pela digitalização e pela demanda por experiências mais integradas. No Brasil, essa situação se intensifica com a evolução tecnológica do segmento financeiro por conta das APIs bancárias, do Open Finance e da expansão do Banking as a Service. 

Inclusive, nos últimos anos, o Banco Central vem criando regulações para flexibilizar as estruturas necessárias para novos entrantes ofertarem produtos financeiros de forma segura. Assim, é possível ampliar a competição e melhorar a qualidade dos serviços prestados. 

Mas existem pontos críticos ainda pouco explorados. Qualquer empresa pode operar serviços financeiros? Como estar preparado para os riscos que vêm junto com a realização de serviços financeiros? Vamos entender melhor a seguir. 

Mas o que é embedded finance? 

De forma simples, embedded finance, ou finanças embutidas no português, é a integração de serviços financeiros diretamente na jornada de consumo de empresas que não são instituições financeiras. 

Na prática, isso significa que o cliente não precisa sair da plataforma para: 

  • Fazer pagamentos;  
  • Contratar crédito;  
  • Abrir contas;  
  • Contratar seguros.

Tudo acontece dentro da experiência principal. Um exemplo clássico é um e-commerce que oferece parcelamento próprio ou crédito direto no checkout. Outra situação comum é um aplicativo de mobilidade que disponibiliza carteira digital para seus usuários. 

Como disse Angela Strange, sócia geral da Andreessen Horowitz e investidora de tecnologia, em 2020: “Every company will be a fintech company.” (Toda empresa se tornará uma empresa financeira) 

Por que o embedded finance está crescendo tão rápido? 

O crescimento do embedded finance no Brasil não acontece por acaso, uma vez que essa abordagem resolve problemas reais de negócio. 

Redução de fricção: ao eliminar intermediários, o processo se torna mais rápido e conveniente. Isso impacta diretamente a conversão. 

Aumento do ticket médio: quando crédito ou outros produtos financeiros estão disponíveis no momento da decisão, a tendência de compra cresce e aumenta o valor gasto pelo usuário. 

Melhora da retenção e da fidelização: a maioria dos consumidores prefere plataformas que disponibilizam múltiplos serviços integrados em um único ambiente. Desse modo, os clientes tendem a permanecer em ecossistemas que oferecem soluções completas, aumentando significativamente o nível de relacionamento com a marca.  

Leia também: Como promover o foco no cliente sem esquecer a segurança 

Expansão de mercado e inclusão: o embedded finance abre portas para públicos que antes estavam fora do sistema financeiro tradicional, como desbancarizados e consumidores com baixo acesso a crédito. 

Redução de intermediários: outro ganho relevante está na eliminação de camadas intermediárias. Ao internalizar parte da operação financeira, as empresas reduzem custos bancários, taxas de intermediação e dependência de terceiros 

Uso de dados e personalização: um dos ativos mais estratégicos do embedded finance é o dado. Ao controlar a jornada financeira, a empresa passa a ter acesso a dados transacionais valiosos, como comportamento de compra, capacidade de pagamento e padrões de uso, o que permite decisões mais inteligentes. 

Como empresas não financeiras estão usando embedded finance 

O embedded finance já está presente em diversos segmentos. No varejo, as empresas oferecem crédito próprio, aumentando conversão e ticket médio. No setor de mobilidade, os aplicativos disponibilizam carteiras digitais e pagamentos integrados. 

Já as empresas de software as a service (SaaS) começaram a oferecer contas digitais para seus clientes, integrando gestão financeira ao serviço principal. E marketplaces, por sua vez, operam soluções completas de pagamento, repasse e financiamento. 

Na prática, isso cria um novo modelo, já que a empresa deixa de ser apenas fornecedora de produto ou serviço e passa a ser parte da jornada financeira do cliente. 

Como funciona o embedded finance no Brasil? 

Diferentemente do modelo tradicional, em que a empresa precisa se tornar uma instituição financeira para oferecer serviços como crédito, conta digital ou pagamentos, o embedded finance opera por meio de parcerias e infraestrutura especializada. 

Na maioria dos casos, empresas não financeiras se conectam a instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil ou a provedores de infraestrutura financeira. 

Esses parceiros são responsáveis por toda a base regulatória, operacional e financeira da operação. 

Papel das APIs e da infraestrutura financeira 

O elemento central que viabiliza esse modelo é o uso de APIs (interfaces de programação de aplicativos). Essas APIs permitem que serviços financeiros sejam integrados diretamente dentro de plataformas digitais, de forma simples e escalável. 

Tudo isso sem precisar desenvolver uma estrutura bancária do zero. Esse modelo reduz drasticamente barreiras e acelera a entrada no mercado. 

Impacto para bancos e instituições financeiras 

Esse novo modelo transforma profundamente o papel dos bancos dentro do ecossistema. Durante décadas, as instituições financeiras foram o ponto central da relação com o cliente.  

Toda jornada, incluindo pagamento, crédito e investimento, passava obrigatoriamente por bancos e instituições. Hoje, essa centralidade se deslocou com a participação das empresas não financeiras. 

Crescimento do modelo BaaS (Banking as a Service) 

Esse contexto impulsiona o crescimento do Banking as a Service (BaaS). Nesse modelo, os bancos disponibilizam sua infraestrutura, como contas, pagamentos e crédito, para que outras empresas utilizem via APIs. 

Na prática, isso reposiciona os bancos de fornecedores de produtos para provedores de infraestrutura. Ou seja, nestes casos, eles deixam de ser o destino final da jornada financeira de um cliente e passam a ser parte invisível da operação. 

Quais os riscos do embedded finance? 

Se por um lado o embedded finance no Brasil impulsiona crescimento de empresas não financeiras, por outro ele amplia a superfície de risco. Isso porque, muitas vezes, as organizações avançam nessa ideia pela visão de ganho, mas sem estruturar a gestão do risco. 

É exatamente nesse ponto que surgem problemas como fraudes financeiras, falhas operacionais, exposição regulatória e riscos de reputação de marca. 

Fraudes financeiras 

Ao operar serviços financeiros, a empresa passa a lidar com riscos como: 

  • Fraude de identidade;  
  • Account takeover;  
  • Uso indevido de crédito; 
  • Lavagem de dinheiro.

Riscos operacionais 

A integração de sistemas financeiros exige maturidade técnica, pois falhas operacionais no funcionamento das aplicações financeiras podem gerar inconsistências, perdas e interrupções de serviços. 

Riscos regulatórios 

Operar serviços financeiros envolve compliance rigoroso, incluindo proteção de dados, prevenção à lavagem de dinheiro e normas do Banco Central. 

Riscos reputacionais 

Diferentemente de um banco, a empresa não financeira não tem histórico nesse tipo de operação, o que aumenta a chance de problemas. Neste sentido, um incidente pode impactar diretamente a reputação da marca e a confiança do cliente. 

Como estruturar o embedded finance com segurança 

As empresas que operam o embedded finance no Brasil com maturidade precisam seguir princípios fundamentais. 

  1. Avaliações de risco; 
  2. Mapeamento e entendimento das vulnerabilidades; 
  3. Definição de responsabilidades claras entre parceiros e áreas internas; 
  4. Adoção de medidas de prevenção e de Know Your Customer, a fim de identificar quem está entrando na empresa e fazendo transações financeiras; 
  5. Implementação de processos de monitoramento contínuo de operações e movimentações; 
  6. Integração de áreas como operações, tecnologia, riscos e fraudes; 
  7. Desenvolvimento de estratégias de investigação para apurar casos de fraudes, identificar responsáveis e evitar recorrências.

Como a GIF International pode ajudar no contexto de embedded finance 

A GIF International atua justamente na interseção entre crescimento e risco. Com uma abordagem integrada, apoiamos empresas que adotam embedded finance por meio de nosso ecossistema de combate a fraudes com soluções como: 

  • Pentest para identificação de vulnerabilidades;  
  • Threat intelligence para monitoramento de ameaças; 
  • Investigação de fraudes e desvios de conduta;  
  • Análise forense e resposta a incidentes; 
  • Prevenção à lavagem de dinheiro; 
  • Due diligence de parceiros e fornecedores.

O objetivo não é apenas proteger. É permitir crescimento com segurança. Quer saber mais informações? Fale com nossos especialistas! 

FAQ – Embedded finance 

O que é embedded finance? 

É a integração de serviços financeiros dentro de empresa não financeiras, permitindo que o usuário realize operações sem sair da jornada principal. 

Qualquer empresa pode usar embedded finance? 

Sim. Em geral, empresas de varejo, e-commerce, marketplace, mobilidade, softwares e telecomunicações passaram a atuar com o serviço. 

Preciso virar banco para usar embedded finance no Brasil? 

Não. A empresa pode operar por meio de parceiros financeiros e infraestrutura especializada. 

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