O avanço do embedded finance no Brasil está mudando, de forma silenciosa e rápida, a forma como serviços financeiros são distribuídos no mercado. Hoje, empresas que nunca foram bancos estão oferecendo contas digitais, crédito, seguros e soluções de pagamento dentro da própria jornada do cliente.
Tal movimento não é pontual. É estrutural. De acordo com relatório do Future Market Insights, o mercado global de embedded finance deve ver o aumento de sua receira de US$ 85,8 bilhões em 2026 para US$ 370,9 bilhões até 2036, registrando uma taxa de crescimento anual de 15,8%.
Esse cenário é impulsionado pela digitalização e pela demanda por experiências mais integradas. No Brasil, essa situação se intensifica com a evolução tecnológica do segmento financeiro por conta das APIs bancárias, do Open Finance e da expansão do Banking as a Service.
Inclusive, nos últimos anos, o Banco Central vem criando regulações para flexibilizar as estruturas necessárias para novos entrantes ofertarem produtos financeiros de forma segura. Assim, é possível ampliar a competição e melhorar a qualidade dos serviços prestados.
Mas existem pontos críticos ainda pouco explorados. Qualquer empresa pode operar serviços financeiros? Como estar preparado para os riscos que vêm junto com a realização de serviços financeiros? Vamos entender melhor a seguir.
Mas o que é embedded finance?
De forma simples, embedded finance, ou finanças embutidas no português, é a integração de serviços financeiros diretamente na jornada de consumo de empresas que não são instituições financeiras.
Na prática, isso significa que o cliente não precisa sair da plataforma para:
- Fazer pagamentos;
- Contratar crédito;
- Abrir contas;
- Contratar seguros.
Tudo acontece dentro da experiência principal. Um exemplo clássico é um e-commerce que oferece parcelamento próprio ou crédito direto no checkout. Outra situação comum é um aplicativo de mobilidade que disponibiliza carteira digital para seus usuários.
Como disse Angela Strange, sócia geral da Andreessen Horowitz e investidora de tecnologia, em 2020: “Every company will be a fintech company.” (Toda empresa se tornará uma empresa financeira)
Por que o embedded finance está crescendo tão rápido?
O crescimento do embedded finance no Brasil não acontece por acaso, uma vez que essa abordagem resolve problemas reais de negócio.
Redução de fricção: ao eliminar intermediários, o processo se torna mais rápido e conveniente. Isso impacta diretamente a conversão.
Aumento do ticket médio: quando crédito ou outros produtos financeiros estão disponíveis no momento da decisão, a tendência de compra cresce e aumenta o valor gasto pelo usuário.
Melhora da retenção e da fidelização: a maioria dos consumidores prefere plataformas que disponibilizam múltiplos serviços integrados em um único ambiente. Desse modo, os clientes tendem a permanecer em ecossistemas que oferecem soluções completas, aumentando significativamente o nível de relacionamento com a marca.
Leia também: Como promover o foco no cliente sem esquecer a segurança
Expansão de mercado e inclusão: o embedded finance abre portas para públicos que antes estavam fora do sistema financeiro tradicional, como desbancarizados e consumidores com baixo acesso a crédito.
Redução de intermediários: outro ganho relevante está na eliminação de camadas intermediárias. Ao internalizar parte da operação financeira, as empresas reduzem custos bancários, taxas de intermediação e dependência de terceiros
Uso de dados e personalização: um dos ativos mais estratégicos do embedded finance é o dado. Ao controlar a jornada financeira, a empresa passa a ter acesso a dados transacionais valiosos, como comportamento de compra, capacidade de pagamento e padrões de uso, o que permite decisões mais inteligentes.
Como empresas não financeiras estão usando embedded finance
O embedded finance já está presente em diversos segmentos. No varejo, as empresas oferecem crédito próprio, aumentando conversão e ticket médio. No setor de mobilidade, os aplicativos disponibilizam carteiras digitais e pagamentos integrados.
Já as empresas de software as a service (SaaS) começaram a oferecer contas digitais para seus clientes, integrando gestão financeira ao serviço principal. E marketplaces, por sua vez, operam soluções completas de pagamento, repasse e financiamento.
Na prática, isso cria um novo modelo, já que a empresa deixa de ser apenas fornecedora de produto ou serviço e passa a ser parte da jornada financeira do cliente.
Como funciona o embedded finance no Brasil?
Diferentemente do modelo tradicional, em que a empresa precisa se tornar uma instituição financeira para oferecer serviços como crédito, conta digital ou pagamentos, o embedded finance opera por meio de parcerias e infraestrutura especializada.
Na maioria dos casos, empresas não financeiras se conectam a instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil ou a provedores de infraestrutura financeira.
Esses parceiros são responsáveis por toda a base regulatória, operacional e financeira da operação.
Papel das APIs e da infraestrutura financeira
O elemento central que viabiliza esse modelo é o uso de APIs (interfaces de programação de aplicativos). Essas APIs permitem que serviços financeiros sejam integrados diretamente dentro de plataformas digitais, de forma simples e escalável.
Tudo isso sem precisar desenvolver uma estrutura bancária do zero. Esse modelo reduz drasticamente barreiras e acelera a entrada no mercado.
Impacto para bancos e instituições financeiras
Esse novo modelo transforma profundamente o papel dos bancos dentro do ecossistema. Durante décadas, as instituições financeiras foram o ponto central da relação com o cliente.
Toda jornada, incluindo pagamento, crédito e investimento, passava obrigatoriamente por bancos e instituições. Hoje, essa centralidade se deslocou com a participação das empresas não financeiras.
Crescimento do modelo BaaS (Banking as a Service)
Esse contexto impulsiona o crescimento do Banking as a Service (BaaS). Nesse modelo, os bancos disponibilizam sua infraestrutura, como contas, pagamentos e crédito, para que outras empresas utilizem via APIs.
Na prática, isso reposiciona os bancos de fornecedores de produtos para provedores de infraestrutura. Ou seja, nestes casos, eles deixam de ser o destino final da jornada financeira de um cliente e passam a ser parte invisível da operação.
Quais os riscos do embedded finance?
Se por um lado o embedded finance no Brasil impulsiona crescimento de empresas não financeiras, por outro ele amplia a superfície de risco. Isso porque, muitas vezes, as organizações avançam nessa ideia pela visão de ganho, mas sem estruturar a gestão do risco.
É exatamente nesse ponto que surgem problemas como fraudes financeiras, falhas operacionais, exposição regulatória e riscos de reputação de marca.
Fraudes financeiras
Ao operar serviços financeiros, a empresa passa a lidar com riscos como:
- Fraude de identidade;
- Account takeover;
- Uso indevido de crédito;
- Lavagem de dinheiro.
Riscos operacionais
A integração de sistemas financeiros exige maturidade técnica, pois falhas operacionais no funcionamento das aplicações financeiras podem gerar inconsistências, perdas e interrupções de serviços.
Riscos regulatórios
Operar serviços financeiros envolve compliance rigoroso, incluindo proteção de dados, prevenção à lavagem de dinheiro e normas do Banco Central.
Riscos reputacionais
Diferentemente de um banco, a empresa não financeira não tem histórico nesse tipo de operação, o que aumenta a chance de problemas. Neste sentido, um incidente pode impactar diretamente a reputação da marca e a confiança do cliente.
Como estruturar o embedded finance com segurança
As empresas que operam o embedded finance no Brasil com maturidade precisam seguir princípios fundamentais.
- Avaliações de risco;
- Mapeamento e entendimento das vulnerabilidades;
- Definição de responsabilidades claras entre parceiros e áreas internas;
- Adoção de medidas de prevenção e de Know Your Customer, a fim de identificar quem está entrando na empresa e fazendo transações financeiras;
- Implementação de processos de monitoramento contínuo de operações e movimentações;
- Integração de áreas como operações, tecnologia, riscos e fraudes;
- Desenvolvimento de estratégias de investigação para apurar casos de fraudes, identificar responsáveis e evitar recorrências.
Como a GIF International pode ajudar no contexto de embedded finance
A GIF International atua justamente na interseção entre crescimento e risco. Com uma abordagem integrada, apoiamos empresas que adotam embedded finance por meio de nosso ecossistema de combate a fraudes com soluções como:
- Pentest para identificação de vulnerabilidades;
- Threat intelligence para monitoramento de ameaças;
- Investigação de fraudes e desvios de conduta;
- Análise forense e resposta a incidentes;
- Prevenção à lavagem de dinheiro;
- Due diligence de parceiros e fornecedores.
O objetivo não é apenas proteger. É permitir crescimento com segurança. Quer saber mais informações? Fale com nossos especialistas!
FAQ – Embedded finance
O que é embedded finance?
É a integração de serviços financeiros dentro de empresa não financeiras, permitindo que o usuário realize operações sem sair da jornada principal.
Qualquer empresa pode usar embedded finance?
Sim. Em geral, empresas de varejo, e-commerce, marketplace, mobilidade, softwares e telecomunicações passaram a atuar com o serviço.
Preciso virar banco para usar embedded finance no Brasil?
Não. A empresa pode operar por meio de parceiros financeiros e infraestrutura especializada.











