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gestão de riscos de terceiros

Gestão de riscos de terceiros: o que sua empresa precisa saber para evitar perdas? 

Descubra como evitar fraudes e danos reputacionais com fornecedores e parceiros.
  • 28 de abril
  • 2026
  • 9 min

Os fornecedores, prestadores de serviço, parceiros logísticos, tecnológicos e comerciais ajudam a ampliar a capacidade operacional, reduzir custos e acelerar o crescimento. Mas existe um ponto crítico que nem sempre recebe a devida atenção. Muitas vezes, a gestão de risco de terceiros é deixada de lado. 

Vale destacar que, quanto mais sua empresa depende de terceiros, maior é sua exposição a riscos, especialmente de fraudes. E o problema não está apenas na fraude em si, mas na dificuldade de identificar, monitorar e controlar esses riscos. 

Segundo estudo da KPMG, mais de 30% das empresas sofreram perda monetária ou danos à reputação, ao longo de três anos, por conta das vulnerabilidades de terceiros e prestadores de serviços.   

Já um levantamento da Deloitte revela que 48% dos entrevistados acreditam que os impactos financeiros de incidentes com terceiros podem ultrapassar US$ 50 milhões.   

Neste sentido, a gestão de riscos de terceiros deixou de ser uma prática operacional e passou a ser uma alavanca estratégica de proteção do negócio. 

O que é a gestão de risco de terceiros? 

A gestão de risco de terceiros é o conjunto de processos e práticas utilizados para identificar, avaliar, monitorar e mitigar os riscos associados a fornecedores, parceiros e prestadores de serviço. 

Na prática, significa entender com quem sua empresa está se relacionando e quais impactos essa relação pode gerar. 

Esse processo envolve desde a análise inicial (como por exemplo, uma due diligence) até o monitoramento contínuo ao longo de toda a relação contratual. 

Mais do que um requisito de compliance, a gestão de riscos de terceiros é um mecanismo de defesa, já que protege a empresa contra fraudes, falhas operacionais, riscos reputacionais e problemas regulatórios que podem surgir fora das suas fronteiras diretas. 

Exemplos práticos de riscos de terceiros 

Para entender melhor, vale olhar alguns cenários comuns. 

Um fornecedor logístico pode estar envolvido em desvios de carga, gerando prejuízos recorrentes que, inicialmente, parecem falhas operacionais. 

Um parceiro comercial pode utilizar dados de clientes de forma indevida, expondo a empresa a riscos legais e reputacionais. 

Ou ainda, um fornecedor pode atuar em conluio com colaboradores internos para manipular contratos ou valores. 

Esses casos mostram que o risco se conecta diretamente com a operação interna. 

Por que terceiros são um dos maiores vetores de fraude? 

Existe uma combinação de fatores que transforma fornecedores e parceiros em um dos principais vetores de fraude dentro das organizações. Na prática, 4 elementos se destacam: 

Acesso direto à operação  

Os terceiros frequentemente atuam dentro de processos críticos: logística, pagamentos, atendimento, tecnologia, entre outros. Isso significa que eles têm acesso a sistemas, fluxos operacionais e, muitas vezes, dados sensíveis da empresa e de clientes. 

Menor nível de controle  

Em geral, esse acesso não é acompanhado pelo mesmo nível de governança aplicado aos colaboradores internos. Enquanto funcionários passam por processos estruturados de seleção, treinamento, monitoramento e auditoria, terceiros muitas vezes são avaliados apenas na entrada e depois operam com baixo nível de supervisão contínua. 

Confiança implícita  

Para completar o cenário, existe um fator comportamental relevante, que é a confiança implícita. Uma vez homologado, o terceiro passa a ser visto como “seguro”, o que reduz o nível de questionamento e vigilância sobre suas atividades. 

Esse excesso de confiança abre espaço para práticas como: 

  • Conluio com colaboradores internos;  
  • Manipulação de processos operacionais;  
  • Fraudes financeiras (como superfaturamento ou cobranças indevidas); 
  • Desvios logísticos, incluindo perdas e roubos de carga;  
  • Uso indevido de dados e acessos.

Dificuldade de visibilidade 

Diferentemente das operações internas, as atividades de terceiros muitas vezes acontecem fora do radar direto da empresa. Dessa forma, as fraudes envolvendo terceiros se tornam mais difíceis de detectar e, quando identificadas, podem já ter causado um impacto significativo.

Como estruturar uma gestão de risco de terceiros eficiente 

A construção de uma estrutura eficaz exige uma abordagem contínua e integrada. De acordo com pesquisa da EY de 2025, 57% das empresas disseram já operar com estruturas de gestão de risco de terceiros centralizadas, um aumento em relação aos 54% de 2023.    

Vejamos as melhores práticas para mitigar riscos de terceiros: 

Classificação de risco 

O primeiro passo é entender quem são os terceiros e qual o nível de criticidade de cada um. Os fornecedores com acesso a dados sensíveis, operações críticas ou impacto direto no cliente devem ser classificados como alto risco. Já terceiros com atuação limitada podem exigir controles mais simples. 

Essa segmentação permite direcionar esforços e recursos de forma inteligente, evitando tanto o excesso quanto a ausência de controle. Sem essa priorização, a empresa pode gastar energia onde não precisa e, ao mesmo tempo, deixar vulnerabilidades onde não pode. 

Due diligence além do básico 

A análise inicial de terceiros precisa ir além da validação documental. Consultar CNPJ, contrato social e certidões negativas é importante, mas insuficiente. Uma due diligence robusta busca entender o contexto completo do terceiro: 

  • Histórico de atuação;  
  • Reputação no mercado; 
  • Envolvimento em litígios ou fraudes;  
  • Estrutura societária e possíveis vínculos de risco;  
  • Capacidade operacional real.

O objetivo é identificar riscos ocultos antes que eles entrem na operação. As empresas que negligenciam essa etapa acabam trazendo o problema para dentro de casa. 

Formalização de contratos assertivos 

Uma vez aprovado, o terceiro precisa estar formalmente enquadrado em regras claras. Os contratos não devem ser apenas uma formalidade jurídica, mas uma ferramenta de gestão de risco. A partir da construção de cláusulas claras, é possível prever: 

  • Requisitos de compliance e segurança;  
  • Obrigações de confidencialidade;  
  • Regras de acesso a sistemas e dados;  
  • Possibilidade de auditoria;  
  • Penalidades em caso de irregularidades.

Monitoramento contínuo 

A maioria das organizações avalia o terceiro na entrada e depois perde visibilidade. No entanto, o risco não é estático. O fornecedor pode mudar de comportamento, enfrentar dificuldades financeiras, alterar sua estrutura ou até se envolver em práticas irregulares ao longo do tempo. 

Portanto, o monitoramento precisa ser contínuo, incluindo acompanhamento de performance, análise de indicadores operacionais e financeiros, monitoramento de reputação e identificação de padrões fora do esperado. 

Auditorias e validação de aderência 

Mesmo com o monitoramento, é necessário validar se o que foi acordado está sendo cumprido. Desse modo, as auditorias periódicas permitem verificar conformidade com processos, aderência a políticas de segurança, integridade das operações e existência de desvios ou inconsistências.  

Integração entre áreas 

Um dos maiores gargalos na gestão de terceiros é a fragmentação interna. A área de compras contrata, o jurídico formaliza e o compliance valida, só que nem sempre existe integração entre essas áreas. Porém, uma gestão eficiente exige colaboração entre compliance, jurídico, compras, operações e tecnologia. 

Essa integração garante visão completa e reduz lacunas que poderiam ser exploradas. 

Leia também: Estratégia de segurança: evite silos e integre setores da empresa 

Tecnologia e inteligência 

Com o aumento da complexidade, a gestão manual se torna limitada. O uso de tecnologia permite escalar o controle e aumentar a precisão das análises. Assim, as ferramentas de monitoramento, análise de dados e inteligência ajudam a identificar padrões de risco, detectar anomalias, automatizar processos de validação e gerar alertas em tempo real. 

Cultura de risco 

Por fim, nenhuma estrutura funciona sem uma cultura organizacional alinhada. Se as áreas enxergam terceiros apenas como fornecedores e não como potenciais fontes de risco, os controles tendem a ser negligenciados. 

Neste sentido, a gestão de risco de terceiros precisa ser incorporada à cultura da empresa, incluindo conscientização das áreas, treinamento contínuo, clareza de responsabilidades e incentivo à identificação de riscos. 

Quando a cultura está alinhada, o controle deixa de ser imposto e passa a ser natural. 

Onde as empresas mais erram na gestão de terceiros? 

Mesmo empresas estruturadas cometem falhas recorrentes na gestão de terceiros e, na maioria dos casos, esses erros não estão na ausência de processos, mas na forma como eles são executados. Confira deslizes frequentes: 

Avaliação pontual em vez de gestão contínua 

Um dos erros mais comuns é tratar a análise de terceiros como um evento isolado. A empresa realiza uma avaliação inicial, aprova o fornecedor e, a partir daí, assume que o risco está controlado. Porém, como mencionamos anteriormente, o risco não é estático. 

O resultado é uma gestão baseada no passado, incapaz de responder aos riscos do presente. 

Due diligence superficial e excesso de burocracia 

Outro ponto crítico está na forma como as empresas conduzem o due diligence. De um lado, há análises superficiais, baseadas apenas em documentos básicos, que não capturam riscos reais.  

De outro, existe o extremo oposto com processos excessivamente burocráticos. É comum que terceiros sejam submetidos a múltiplos questionários extensos, com dezenas de perguntas, sendo muitas repetitivas, irrelevantes ou mal estruturadas. 

Essa abordagem gera fadiga nos fornecedores, respostas genéricas ou imprecisas e baixa confiabilidade das informações. Isso faz com que os dados coletados sejam pouco confiáveis ou rapidamente fiquem desatualizados. Ou seja, muito esforço e pouca inteligência. 

Falta de dados confiáveis e visão integrada 

Um dos maiores desafios enfrentados pelas organizações é a qualidade da informação. Segundo o estudo da EY, cerca de 60% das empresas apontam a dificuldade de obter dados completos e confiáveis como um dos principais obstáculos na gestão de terceiros. 

Esse problema está diretamente ligado à dependência de inputs manuais, falta de integração entre sistemas e baixa padronização das informações. Além disso, muitos terceiros não possuem maturidade para fornecer dados estruturados, o que agrava ainda mais o cenário. 

Como consequência, a avaliação de risco passa a se basear em informações incompletas, inconsistentes ou desatualizadas. 

Classificação de risco inadequada 

Quando os dados são incorretos, a tomada de decisão também será, e as empresas podem acabar classificando os terceiros de forma errada. Ou seja, aplicam controles excessivos a parceiros de baixo risco e subestimam fornecedores que representam alto risco real. 

Consolidação de informações 

Um mesmo terceiro pode atuar em diferentes áreas da empresa, com contratos distintos, responsáveis diferentes e níveis de criticidade variados. Sem uma visão integrada, o resultado é um retrato fragmentado, o que dificulta a análise e compromete a tomada de decisão. 

Leia também: Gestão inteligente: como as ações de combate à fraude ajudam 

Como a investigação de fraudes contribui para a gestão de terceiros 

Mesmo com processos estruturados, os riscos podem se materializar. É nesse momento que investigação e inteligência se tornam fundamentais. 

A investigação permite identificar o que aconteceu, como aconteceu e quem está envolvido. Já a inteligência conecta dados, identifica padrões e antecipa riscos. 

Por exemplo, um aumento incomum de custos com determinado fornecedor pode indicar fraude. Ou uma sequência de falhas operacionais pode apontar para manipulação de processos, como no caso de desvios de carga. 

Sem esse olhar analítico, a empresa reage aos problemas. Com inteligência, é possível antecipar e prevenir os riscos de terceiros. 

Como a GIF International pode ajudar na gestão de risco de terceiros 

A GIF International atua de forma integrada na gestão de riscos de terceiros, conectando inteligência, análise estratégica e investigações. 

Apoiamos as empresas a realizar due diligence aprofundada de fornecedores, investigar fraudes e irregularidades envolvendo terceiros, mapear vulnerabilidades e estruturar controles mais eficazes. 

Nosso foco não é apenas identificar problemas, mas evitar que eles se repitam. Quer saber mais informações? Entre em contato com nossos especialistas. 

FAQ — Gestão de riscos de terceiros 

O que é gestão de riscos de terceiros? 

É o conjunto de práticas para identificar, avaliar e monitorar riscos associados a fornecedores e parceiros. 

Quais são os principais riscos de terceiros? 

Fraudes financeiras, riscos operacionais, vazamento de dados, problemas regulatórios e impactos reputacionais. 

O que é due diligence de terceiros? 

É o processo de análise e validação de fornecedores antes da contratação, incluindo histórico, reputação e riscos. 

Por que terceiros representam risco? 

Porque têm acesso à operação, mas nem sempre estão sujeitos ao mesmo nível de controle que a empresa. 

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