Os golpes online deixaram de ser eventos isolados para se tornarem parte do cotidiano digital das pessoas. Compras, pagamentos, investimentos, atendimento ao cliente, logística e até interações pessoais passaram a acontecer em ambientes conectados. E, junto com essa transformação, cresceram também as oportunidades para fraudadores.
Neste cenário, existe um dado que chama atenção: 75% dos brasileiros afirmam estar confiantes de que conseguem reconhecer golpes online, segundo pesquisa da GASA. Ao mesmo tempo, o próprio levantamento mostra que a maioria da população (70%) já foi vítima de fraudes no último ano.
Existe, portanto, um paradoxo importante. As pessoas acreditam estar preparadas, mas continuam sendo impactadas.
Para as empresas, esse dado merece atenção especial. Afinal, clientes, colaboradores, terceiros, fornecedores e parceiros podem carregar essa mesma percepção para dentro das operações. E, muitas vezes, a falsa sensação de segurança se transforma em uma vulnerabilidade invisível.
Neste sentido, os golpes online passaram a representar um risco operacional, reputacional e financeiro para organizações de todos os segmentos.
Confiança não significa proteção
De acordo com o estudo, no Brasil, 81% dos adultos já se depararam com golpes online e a frequência de ocorrência chega à média anual de 252 abordagens por pessoa. Na prática, isso representa aproximadamente: 1 tentativa de golpe a cada dia e meio.
Esses números se contrapõem à expectativa dos brasileiros de terem conhecimento suficiente para reconhecer fraudes. Em uma analogia simples, é como dirigir todos os dias acreditando cegamente que os acidentes acontecem apenas com os outros motoristas. O excesso de confiança reduz a percepção de risco e é exatamente isso que fraudadores exploram.
Quanto maior a confiança excessiva dos usuários, menor tende a ser a vigilância diante de sinais suspeitos.
Inclusive, existe um conceito conhecido na psicologia comportamental chamado viés de excesso de confiança. Ele descreve a tendência humana de superestimar a própria capacidade de identificar riscos.
Na prática, funciona assim:
“Eu perceberia um golpe.”
“Isso não aconteceria comigo.”
“Eu saberia identificar.”
No ambiente corporativo, esse viés aparece com frequência. O colaborador acredita reconhecer phishing. O fornecedor acredita que consegue validar qualquer solicitação. O cliente acredita que jamais cairia em engenharia social.
Principais canais usados pelos fraudadores
Segundo a GASA, os canais mais utilizados para tentativas de golpes online são:
- Ligações telefônicas (65%);
- SMS (55%);
- E-mail (55%);
- Aplicativos de mensagens (52%);
- Redes sociais (48%).
Existe um padrão claro. Os golpes migraram para ambientes de confiança. O fraudador já não depende apenas de malware sofisticado ou invasões técnicas. Muitas vezes, basta explorar familiaridade.
Uma mensagem aparentemente simples no WhatsApp pode gerar mais impacto do que ataques altamente complexos.
Leia também: Perfil do fraudador interno: padrões reais que as empresas ignoram
Plataformas digitais se tornaram superfícies de ataque
O estudo mostra ainda que 88% das tentativas ocorreram por plataformas que envolvem mensagens diretas.
Entre as principais plataformas usadas por fraudadores estão:
- WhatsApp (77%);
- Gmail (43%);
- Instagram (41%);
- Facebook (33%);
- Outlook (20%).
Outros dados relevantes mostram que:
71% das pessoas expostas a golpes no Brasil denunciaram uma tentativa de golpe aos provedores de serviço ou plataformas nos últimos 12 meses.
60% dessas pessoas afirmam que nenhuma medida foi tomada (44%) ou não têm certeza do resultado (16%).
Quais golpes online mais atingem os brasileiros?
Os golpes online no Brasil evoluíram rapidamente nos últimos anos.
Hoje, eles combinam engenharia social, identidade digital, falsificação documental e exploração emocional.
1. Golpe das compras online
O golpe mais frequente no Brasil continua sendo relacionado a compras digitais. Segundo a GASA, 60% das vítimas sofreram fraudes ligadas a compras online.
Entre os exemplos estão:
- Invasão de contas;
- Abuso de cupons e promoções;
- Desvio de mercadorias;
- Lojas falsas;
- Produtos inexistentes;
- Marketplaces fraudulentos;
- Sites clonados;
- Falsos rastreamentos;
- Entregas inexistentes.
Para empresas de varejo e e-commerce, isso gera um problema adicional. Mesmo quando não são responsáveis pela fraude, a marca pode sofrer desgaste reputacional.
2. Roubo de identidade
As fraudes envolvendo identidade cresceram significativamente: 42% das pessoas sofreram com roubo de identidade e 21%, com falsificação de identidade.
Em geral, os criminosos exploram roubo de credenciais e deepfakes para comprometer contas e clonar perfis, a fim de obter vantagens indevidas e desviar recursos.
Em muitos casos, o ataque nem depende de tecnologia avançada para alcançar o objetivo de roubar a identidade. Basta convencer a vítima.
3. Golpe do boleto falso
Com 37% de vítimas, este golpe é muito comum em empresas. O fraudador altera dados bancários, cobranças, ordens de pagamento e solicitações financeiras e envia o boleto para consumidores, que pagam aquele documento errado.
No final, o impacto vai além da perda financeira para as organizações, pois a situação pode comprometer relacionamento com clientes.
4. Fraudes financeiras e de investimentos
Com a digitalização do sistema financeiro, cresceram também os golpes relacionados a investimentos (40%), ganho de dinheiro inesperado (39%) e recuperação de dinheiro (26%).
Esses ataques exploram urgência e promessa de ganhos rápidos para enganar os usuários a passarem dados pessoais e bancários.
Quais os impactos invisíveis dos golpes online?
Quando falamos em fraudes online, normalmente pensamos apenas em dinheiro. Mas os efeitos vão muito além.
O relatório mostra que 86% das vítimas relataram estresse após sofrer golpes, enquanto 59% apontaram impacto relevante no bem-estar emocional.
No ambiente corporativo, isso se traduz em:
- Perda de confiança;
- Queda de produtividade;
- Sobrecarga operacional;
- Crises reputacionais;
- Impacto no atendimento;
- Aumento de custos.
Imagine uma empresa que sofre um golpe envolvendo clientes. Mesmo que recupere valores, a confiança perdida pode levar anos para ser reconstruída.
Por que a conscientização ainda falha nas empresas?
Ao mesmo tempo que as pessoas sofrem golpes online como consumidoras e usuários de serviços, elas também podem sofrer ataques no ambiente de trabalho e ser a porta de entrada para fraudes em empresas.
Inclusive, muitas organizações já investem em treinamentos. No entanto, a conscientização nem sempre surte efeito por diversos motivos. Pode ser que o colaborador não lembrou os ensinamentos quando foi abordado. Ou pode ser que as capacitações estejam defasadas das ameaças modernas.
Veja os principais problemas e falhas da conscientização:
Treinamentos excessivamente teóricos
Em muitos programas, o usuário aprende regras, mas se o fraudador muda o golpe, o resultado é um desalinhamento entre treinamento e realidade.
Simulações insuficientes
Conhecer um golpe não significa reconhecê-lo. Os treinamentos sem exercícios práticos reduzem a retenção do aprendizado e a capacidade de resposta do usuário.
Falta de aplicação real
Outra falha comum é conscientizar sem analisar ameaças reais. Muitas empresas treinam sem demonstrar claramente quais golpes afetam o setor, quais modus operandi predominam e quais perfis são mais visados.
Como evoluir a conscientização das pessoas no combate a golpes online
Muitas empresas acreditam que conscientização significa enviar campanhas esporádicas, compartilhar cartilhas ou realizar um treinamento anual sobre segurança. O problema é que os golpes online evoluem diariamente. Enquanto isso, os programas de conscientização frequentemente permanecem estáticos.
Neste sentido, quanto maior a exposição digital, maior deve ser a evolução da capacidade das pessoas em reconhecer, responder e antecipar ameaças. Veja níveis de capacitação e evolução nos aprendizados:
Nível 1 – awareness: criar consciência sobre os riscos
O primeiro estágio consiste em desenvolver percepção de risco. Muitas pessoas ainda acreditam que golpes acontecem apenas com terceiros ou que somente usuários sem conhecimento técnico são vítimas. Nesse nível, o objetivo é tornar o risco visível por meio de:
Campanhas internas: conteúdos periódicos sobre os principais riscos, golpes emergentes e tendências do mercado.
Conteúdo educativo: cartilhas, vídeos, newsletters, materiais visuais e comunicados simples sobre boas práticas.
Disseminação de boas práticas: validação de remetentes, conferência de links, uso de autenticação multifator, proteção de credenciais e cuidados com engenharia social.
Nível 2 – capacitação: transformar conhecimento em habilidade
Ter consciência não significa saber agir. Por isso, o segundo estágio busca transformar informação em comportamento. Aqui, a organização evolui de campanhas informativas para programas estruturados, incluindo:
Treinamentos contínuos: ações recorrentes e não apenas iniciativas anuais.
Atualizações periódicas: inclusão de novos golpes, deepfakes, fraudes via IA, golpes de PIX e ataques emergentes.
Exercícios práticos: análise de cenários, identificação de fraudes e tomada de decisão.
Nível 3 – simulação: treinar em cenários reais
Existe uma grande diferença entre conhecer um golpe e reconhecê-lo sob pressão. É aqui que muitas empresas falham. Os usuários aprendem a teoria, mas nunca são expostos a situações reais. Nesse estágio, entram mecanismos como:
Phishing controlado: envio de campanhas simuladas para medir comportamento.
Cenários reais: reprodução de golpes relacionados ao contexto da empresa ou função do colaborador.
Avaliações comportamentais: análise de reações, tomada de decisão e vulnerabilidades humanas.
Essa etapa é importante porque permite identificar grupos mais vulneráveis, padrões de comportamento, falhas recorrentes e áreas críticas.
Nível 4 – inteligência: entender como os fraudadores operam
Nesse ponto, a organização deixa de focar apenas na vítima. O olhar passa para o fraudador para entender padrões de golpes, como o comportamento de infratores, recorrência, perfis e modus operandi. Aqui, entram atividades como:
Mapeamento de ameaças: identificação dos golpes mais frequentes para o segmento.
Análise de modus operandi: como os fraudadores atuam, quais canais utilizam e quais vulnerabilidades exploram.
Essa inteligência permite atualizar continuamente a conscientização.
Nível 5 – monitoramento contínuo: antecipar antes do impacto
O estágio mais avançado acontece quando a empresa incorpora inteligência e monitoramento permanente. As atividades incluem:
Detecção: monitoramento de sinais de fraude e tentativas de ataque.
Resposta: protocolos estruturados para contenção.
Como a GIF International ajuda empresas no combate a fraudes digitais
Na GIF International, estamos preparados para enfrentar as fraudes online e ajudar as empresas a desvendar o modus operandi e a responsabilizar os infratores. Nossa atuação combina prevenção, detecção, investigação e inteligência.
Entre as principais frentes do nosso ecossistema de soluções de combate a fraudes estão:
- Investigações corporativas;
- Desvio de conduta;
- Due diligence;
- Análise forense e resposta a incidentes;
- Risk Assessment;
- Entre outras.
O objetivo é transformar riscos em inteligência acionável para mitigar reincidências. Quer saber mais informações? Converse com nossos especialistas agora mesmo!












