A prevenção a fraudes deixou de ser apenas uma obrigação regulatória. Hoje, ela influencia diretamente a confiança e a reputação dos bancos, fintechs, instituições financeiras e de pagamento, assim como a preferência dos consumidores.
Imagine a seguinte situação. Você decide realizar a abertura de conta em um banco digital, porque ouviu boas recomendações e todo o processo promete levar menos de cinco minutos. O cadastro é simples, a selfie é validada rapidamente e, em poucos instantes, a conta está pronta para uso. A experiência é excelente.
Alguns dias depois, porém, você recebe uma notificação de uma transferência que nunca realizou. Em poucos minutos, a tranquilidade dá lugar à desconfiança. A primeira pergunta que surge não é “como isso aconteceu?”, mas sim “como o banco permitiu isso?”.
Agora imagine o cenário oposto. Ao tentar abrir uma conta, o banco solicita diversas selfies, exige o envio repetido de documentos, faz validações sucessivas e demora horas ou até dias para concluir o cadastro. Antes mesmo de terminar o processo, você desiste e procura outra instituição.
Os dois cenários parecem opostos, mas compartilham o mesmo problema: o equilíbrio entre segurança e experiência.
Essa é uma das maiores discussões do mercado financeiro atualmente. De um lado, instituições precisam fortalecer sua prevenção a fraudes diante de um cenário de fraudes cada vez mais sofisticadas, com contas laranjas e golpes do PIX. De outro, não podem criar uma jornada tão burocrática que afaste clientes legítimos.
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Quais requisitos são essenciais na escolha do banco?
Segundo levantamento da FICO, 76% dos consumidores brasileiros afirmam que a capacidade de prevenção a fraudes influencia sua escolha de banco. Entre outros fatores estão experiência digital (70%) e taxas ou juros mais baixos (66%).
Em outras palavras, a segurança deixou de ser apenas um requisito operacional ou regulatório e passou a fazer parte da proposta de valor percebida pelo cliente.
Esse dado representa uma mudança importante na forma como bancos, fintechs, instituições de pagamento e cooperativas de crédito precisam enxergar seus investimentos em segurança.
Durante muitos anos, fatores como tarifas, rendimento, atendimento, benefícios e facilidade de uso lideravam a decisão do consumidor.
Hoje, embora esses aspectos continuem relevantes, cresce a percepção de que uma instituição financeira também deve demonstrar capacidade de proteger o patrimônio, os dados e a identidade de seus clientes.
Digitalização bancária
Essa transformação não ocorreu por acaso. Nos últimos anos, o ecossistema financeiro brasileiro passou por uma das maiores revoluções de sua história.
A popularização dos bancos digitais, a expansão do PIX, o avanço do Open Finance, a digitalização do crédito e o aumento das transações realizadas pelo celular criaram uma experiência muito mais conveniente para milhões de brasileiros.
Inclusive, de acordo com o estudo ainda, 57% dos brasileiros admitem estar mais propensos a abrir contas por canais digitais do que um ano atrás. No entanto, 38% revelam que abandonam o cadastro se os processos de verificação demorarem demais ou forem complexos.
Ao mesmo tempo, essa digitalização ampliou significativamente a superfície de ataque para fraudadores.
As fraudes envolvendo engenharia social, invasão de contas (Account Takeover), roubo de identidade, contas laranja, documentos falsificados, deepfakes, fraudes em onboarding e ataques impulsionados por inteligência artificial tornaram-se parte da rotina das áreas de prevenção a fraudes.
Inclusive, de olho nessas ameaças, 73% dos consumidores afirmam que receberam mensagens suspeitas por SMS, aplicativos de mensagens ou ligações telefônicas. Sem contar que 11% já transferiram recursos para criminosos depois de sofrerem algum tipo de fraude e acabarem enganados.
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O resultado é um cenário em que a segurança e a boa experiência deixaram de ser temas independentes, caminhando lado a lado. No final, a confiança passou a ser um ativo competitivo
Prevenção a fraudes: custo ou investimento?
Tradicionalmente, os programas de prevenção a fraudes eram vistos como centros de custo. Os investimentos em autenticação, monitoramento transacional, biometria, inteligência e investigação eram justificados principalmente pela redução de perdas financeiras, pelo atendimento às exigências regulatórias ou pela mitigação de riscos operacionais.
Esse raciocínio continua válido, mas já não explica toda a realidade do mercado. A percepção dos consumidores demonstra que a segurança passou a influenciar diretamente a competitividade das instituições financeiras.
Ao acreditar que o banco é capaz de proteger suas contas, seus dados e suas movimentações financeiras, o cliente tende a desenvolver um nível maior de confiança na instituição. Isso impacta não apenas a permanência do cliente, mas também sua disposição para utilizar novos produtos, concentrar investimentos e recomendar a marca para outras pessoas.
Dessa forma, a capacidade de prevenção a fraudes depende de uma estratégia contínua, capaz de acompanhar a evolução das ameaças, adaptar controles e responder rapidamente às mudanças no comportamento dos fraudadores.
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Segurança excessiva x segurança inteligente
Neste sentido, como comentamos anteriormente, há atualmente um paradoxo da segurança: como proteger os usuários sem criar fricção demais e afastar os clientes?
Se, por um lado, consumidores esperam que bancos invistam cada vez mais em segurança, por outro eles também desejam experiências rápidas, intuitivas e sem burocracia.
Com esse dilema, é importante unir os conceitos de segurança e experiência e evoluir a discussão de “como aumentar os controles” para “como aplicar os controles certos, no momento certo e para a pessoa certa”, visando uma segurança inteligente.
| Segurança excessiva | Segurança inteligente |
| Mesmos controles para todos os clientes | Controles proporcionais ao nível de risco |
| Diversas autenticações durante toda a jornada | Autenticação adaptativa baseada em contexto |
| Grande quantidade de documentos | Validação automatizada e análise de identidade |
| Alto atrito na abertura de contas | Jornada fluida para clientes legítimos |
| Decisões baseadas apenas em regras fixas | Uso de IA, analytics e inteligência de risco |
| Experiência padronizada | Experiência personalizada conforme o perfil do usuário |

Como funciona a prevenção a fraudes moderna
Para evoluir a prevenção a fraudes para uma visão mais moderna e inteligente de segurança, as instituições e bancos devem entender que a melhor experiência para o cliente é aquela que possui controles adaptáveis ao risco de cada um e que são praticamente invisíveis.
Do onboarding ao monitoramento contínuo
Durante muito tempo, acreditou-se que um processo robusto de onboarding de clientes seria suficiente para reduzir significativamente as fraudes. Sem dúvida, validar documentos, verificar identidade e confirmar a autenticidade do usuário continuam sendo fundamentais, porém representam apenas uma parte da história.
Um cliente legítimo pode ter seu celular roubado meses depois da abertura da conta. Pode cair em um golpe de engenharia social. Pode ter suas credenciais comprometidas em um vazamento de dados. Ou ainda ser induzido a autorizar uma transação fraudulenta acreditando estar falando com um funcionário do banco.
Em todos esses casos, o onboarding foi realizado corretamente. Ainda assim, a fraude aconteceu. Essas situações mostram que as instituições financeiras precisam monitorar o comportamento do cliente durante todo o seu ciclo de vida.
E a tecnologia pode apoiar ao identificar comportamentos legítimos e aplicar validações adicionais apenas em situações de maior risco, como por exemplo, transações de alto valor no PIX.
Em vez de avaliar apenas uma variável, as ferramentas analisam dezenas de fatores simultaneamente:
- Perfil histórico do cliente;
- Dispositivo utilizado;
- Localização geográfica;
- Padrão de navegação;
- Horário da operação;
- Comportamento de digitação;
- Frequência das transações;
- Relacionamento com outras contas;
- Histórico de incidentes;
- Indicadores de inteligência de risco.
Então, o usuário percebe uma proteção sem sentir que sua jornada foi comprometida. O objetivo não é dificultar a vida do usuário, mas sim a vida do fraudador.
Como a investigação corporativa complementa a prevenção a fraudes
Quando uma fraude é descoberta, a primeira preocupação da maioria das instituições financeiras é interromper o prejuízo. Bloquear contas, cancelar cartões, suspender transações e preservar evidências são medidas fundamentais.
Mas existe uma pergunta ainda mais importante: Como impedir que a mesma fraude aconteça novamente? Nesse ponto, a investigação corporativa se torna um diferencial estratégico.
Ao contrário do que muitos imaginam, investigar uma fraude não significa apenas identificar o responsável. O principal objetivo é compreender como o incidente ocorreu, quais vulnerabilidades foram exploradas e quais mudanças precisam ser implementadas para reduzir a probabilidade de recorrência.
Ou seja, uma investigação bem conduzida transforma um incidente em aprendizado para toda a organização. Veja alguns exemplos de fraudes:
- Account Takeover (ATO): criminosos obtêm acesso a contas legítimas por meio de phishing, malware, vazamentos de credenciais ou engenharia social.
- Contas laranja: contas inicialmente legítimas passam a ser utilizadas para ocultar recursos ilícitos, movimentar valores de origem criminosa ou atuar como intermediárias em golpes.
- Fraudes internas: colaboradores ou terceiros exploram acessos privilegiados, falhas de processo ou ausência de segregação de funções para beneficiar organizações criminosas.
- Engenharia social: clientes são induzidos a autorizar transações acreditando estar falando com representantes do banco.
- Fraudes envolvendo PIX: operações legítimas na aparência, mas motivadas por coerção, manipulação ou falsidade ideológica.
Fortaleça sua estratégia de combate e prevenção a fraudes
A evolução das fraudes exige mais do que ferramentas isoladas. É necessário inteligência, investigação, análise de riscos e capacidade de adaptação contínua.
A GIF International apoia bancos, fintechs e instituições financeiras no combate a fraudes, combinando tecnologia, inteligência estratégica e experiência investigativa para reduzir perdas.
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Perguntas frequentes (FAQ) sobre prevenção a fraudes
O que é prevenção a fraudes no setor financeiro?
Prevenção a fraudes é o conjunto de processos, tecnologias, políticas e ações adotadas por bancos, fintechs e instituições financeiras para identificar, impedir e responder a tentativas de fraude envolvendo contas, cadastros, pagamentos, transferências e demais operações financeiras.
Por que a prevenção a fraudes influencia a escolha de um banco?
Pesquisas mostram que consumidores valorizam instituições capazes de proteger seu patrimônio e seus dados. Além de reduzir riscos financeiros, programas maduros de prevenção fortalecem a confiança, a reputação da marca e a fidelização dos clientes.
O que é autenticação baseada em risco (Risk-Based Authentication)?
É um modelo que analisa o contexto de cada acesso ou transação, como dispositivo, localização, horário e comportamento do usuário, para definir o nível de autenticação necessário. Quanto maior o risco identificado, mais rigorosos são os controles aplicados.
Um bom onboarding elimina o risco de fraudes?
Não. Embora o onboarding seja essencial para validar a identidade do cliente, muitas fraudes ocorrem após a abertura da conta, como Account Takeover (ATO), engenharia social, uso de contas laranja e comprometimento de credenciais. Por isso, o monitoramento contínuo é indispensável.












