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risco estratégico

Fraude como risco estratégico: por que o board precisa estar envolvido? 

Saiba a importância de olhar para fraudes como risco estratégico.
  • 28 de agosto
  • 2025
  • 11 min

No atual cenário corporativo, caracterizado por transformações aceleradas, pressão regulatória crescente e ameaças cada vez mais sofisticadas, a fraude deixou de ser um problema isolado das áreas operacionais para se tornar um risco estratégico. 

Dessa forma, cada risco estratégico pode ameaçar diretamente a sustentabilidade, a reputação e o futuro da organização. Não se trata apenas de um prejuízo financeiro imediato, mas de impactos que podem comprometer a capacidade da empresa de manter suas operações, conquistar mercado e atrair investimentos no longo prazo. 

Nesse contexto, fraudes, desvios, roubos, vazamentos de dados, manipulação de informações ou falhas de segurança, tanto físicas quanto digitais, não podem mais ser vistos como questões secundárias. São fatores críticos que podem: 

  • Destruir valor de mercado; 
  • Abalar a confiança de consumidores; 
  • Prejudicar a credibilidade junto a investidores e parceiros; 
  • Impactar a reputação institucional; 
  • Gerar multas e sanções regulatórias; 
  • Comprometer realmente a continuidade do negócio. 

Por isso, os executivos, líderes e conselhos de administração precisam estar diretamente envolvidos no debate sobre riscos de segurança. Esse não é mais um tema apenas de compliance, auditoria, gestão de fraudes ou da área de segurança da informação. É um assunto estratégico de governança corporativa. 

O que é risco estratégico? 

Risco estratégico é qualquer evento, condição ou circunstância capaz de comprometer a capacidade de uma organização de atingir seus objetivos de longo prazo ou executar sua estratégia de negócios. 

Diferentemente dos riscos operacionais, que normalmente estão relacionados a falhas em processos cotidianos, esses riscos podem ter origem em fatores externos, como mudanças econômicas, avanços tecnológicos, alterações regulatórias ou novos concorrentes. Mas também podem decorrer de fatores internos, incluindo deficiências de governança, vulnerabilidades em controles internos, fraudes corporativas ou falhas na gestão de terceiros. 

Neste sentido, as empresas de diferentes segmentos têm ampliado seus investimentos em inteligência corporativa, gestão integrada de riscos e mecanismos de prevenção, buscando antecipar cenários e aumentar sua capacidade de adaptação diante de um ambiente de negócios dinâmico. 

Como identificar riscos estratégicos? 

Análise do ambiente de negócios 

Avaliar tendências econômicas, tecnológicas, regulatórias, políticas e de mercado permite identificar mudanças capazes de impactar o posicionamento competitivo da empresa. 

Mapeamento de processos críticos 

Compreender quais atividades sustentam a operação ajuda a identificar vulnerabilidades e definir prioridades de proteção. 

Definição de ativos estratégicos 

Pessoas, informações, infraestrutura, sistemas, propriedade intelectual, fornecedores e reputação representam ativos essenciais que devem ser protegidos. 

Avaliação periódica de riscos 

Os riscos evoluem constantemente. Por isso, as avaliações periódicas permitem atualizar cenários, revisar controles existentes e identificar novas vulnerabilidades decorrentes de mudanças internas ou externas. 

Como funciona a gestão de riscos estratégicos? 

Diante deste contexto, a gestão de riscos estratégicos se faz necessária nas empresas. Trata-se de um processo contínuo e estruturado que busca reduzir incertezas e apoiar decisões empresariais. 

Mais do que responder a crises, esse gerenciamento permite antecipar ameaças e aumentar a resiliência organizacional. Embora cada negócio adapte sua metodologia às próprias necessidades, o processo normalmente envolve as seguintes etapas: 

  1. Identificação do risco estratégico; 
  2. Avaliação de probabilidade e impacto; 
  3. Priorização; 
  4. Definição de estratégias de tratamento; 
  5. Implementação de controles, processos e tecnologias; 
  6. Monitoramento contínuo. 

Saiba mais: Gestão de riscos corporativos e seu papel estratégico 

Gestão de riscos estratégicos e planejamento estratégico 

A gestão de riscos estratégicos não deve ocorrer de forma isolada e precisa estar integrada ao planejamento estratégico da organização. 

Toda decisão relacionada ao crescimento da empresa, como expansão para novos mercados, lançamento de produtos, transformação digital, fusões e aquisições ou investimentos em infraestrutura, cria oportunidades, mas também introduz novos riscos que precisam ser avaliados. 

Quando riscos e estratégia são analisados conjuntamente, a empresa consegue tomar decisões mais conscientes e ter uma gestão mais inteligente, equilibrando oportunidades e ameaças de maneira estruturada. 

Além disso, a integração entre planejamento estratégico e gestão de riscos proporciona diversos benefícios, como: 

  • Maior previsibilidade na execução da estratégia; 
  • Redução da exposição a crises; 
  • Melhor alocação de recursos; 
  • Maior capacidade de adaptação às mudanças do mercado. 

Nesse contexto, a gestão de riscos deixa de atuar apenas como mecanismo de proteção e passa a contribuir diretamente para a geração de valor e o desenvolvimento sustentável do negócio. 

Leia: Como integrar planejamento estratégico e gestão de riscos em negócios modernos 

Papel da alta liderança na gestão de riscos estratégicos 

A gestão de riscos estratégicos depende do comprometimento da alta administração. 

Embora áreas como riscos, compliance, auditoria e segurança desempenhem papel fundamental na implementação dos controles, cabe à liderança definir o nível de risco que a organização está disposta a assumir e garantir que as decisões estratégicas estejam alinhadas a esse posicionamento. 

Dessa forma, a alta liderança e diretoria possuem responsabilidades importantes nesse processo, incluindo: 

  • Definir diretrizes de gestão de riscos; 
  • Estabelecer o apetite ao risco da organização; 
  • Acompanhar indicadores estratégicos; 
  • Promover uma cultura de gestão de riscos; 
  • Garantir orçamento e recursos para segurança e combate a fraudes. 

Apesar desse papel central, muitas organizações ainda tratam a gestão de riscos estratégicos como uma responsabilidade operacional. Porém, quando os executivos não participam ativamente desse processo, aumentam as chances de decisões que comprometam a continuidade do negócio.  

A seguir, veja por que o risco estratégico deve ser um tema permanente na pauta da alta administração. 

7 razões para discutir o risco estratégico com a alta liderança 

1. Fraudes geram perdas financeiras bilionárias 

As empresas perdem, em média, 5% do faturamento anual somente com as fraudes internas, segundo relatório da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners).  Em grandes organizações, isso representa bilhões de reais em perdas ocultas. 

Além dos prejuízos diretos, há custos indiretos: 

  • Investigações emergenciais; 
  • Interrupção de operações; 
  • Perda de contratos e clientes; 
  • Queda no valor de mercado. 

O board precisa enxergar que cada real investido em combate a fraudes pode significar uma economia substancial no médio e longo prazo. 

2. A fraude ameaça a sustentabilidade do negócio 

As fraudes não afetam apenas o caixa imediato. Elas comprometem a sustentabilidade do negócio ao corroer a confiança no longo prazo. Uma empresa dificilmente reconquista a credibilidade perdida após um escândalo de corrupção, manipulação contábil ou vazamento de dados sensíveis. 

Para os C-levels e membros do board, isso significa reconhecer que fraude não é apenas custo operacional, mas risco estratégico. A sobrevivência de uma empresa no mercado competitivo depende da sua capacidade de se blindar contra ameaças que podem afetar o futuro. 

3. Impactos reputacionais e de imagem são devastadores 

De acordo com estudo da Kaspersky, 31% das empresas brasileiras tiveram impacto na sua reputação após sofrerem ciberataques. Esse dado deixa claro que, quando uma fraude vem à tona, a marca é arranhada, e reconstruir a reputação pode levar anos, se for possível. 

Aqui, o envolvimento do board e dos executivos é essencial, porque, depois de ocorrer um incidente, as decisões sobre comunicação de crise, postura pública, alinhamento com stakeholders e reconstrução de confiança exigem liderança no mais alto nível. 

4. Pressão regulatória e responsabilidade pessoal dos executivos 

Nos últimos anos, a legislação global endureceu as regras de governança e responsabilidade. No Brasil, temos a Lei Anticorrupção (12.846/2013), a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e normas de diversos setores que ampliam a responsabilidade dos gestores. 

Cada vez mais, os executivos podem ser responsabilizados pessoalmente por falhas de governança, omissões em sistemas de prevenção ou negligência em relação a riscos de fraude e segurança. 

Portanto, o board não pode delegar totalmente esse tema às áreas técnicas. É preciso acompanhar, deliberar e investir estrategicamente em práticas de segurança corporativa, compliance e análise de riscos. 

Leia também: Como dimensionar o orçamento destinado ao combate a fraudes 

5. Fraudes internas são difíceis de detectar sem apoio estratégico 

A maior parte das fraudes corporativas tem origem interna, envolvendo colaboradores, gestores, fornecedores ou parceiros que utilizam brechas no sistema para desviar recursos, manipular dados ou sabotar operações. Inclusive, o ataque hacker à C&M, que resultou em um desvio de ao menos R$ 800 milhões, teve participação interna após o aliciamento de um funcionário. 

Então, esses riscos de segurança são complexos e, muitas vezes, passam despercebidos sem investimento em controles internos, due diligence, background checks e monitoramento contínuo. 

O board, ao participar das discussões, garante que a organização tenha recursos e autonomia suficientes para implementar mecanismos robustos de prevenção, detecção e investigação.

6. A fraude digital amplia a complexidade do cenário 

Se antes os maiores riscos estavam no ambiente físico, hoje os crimes digitais representam ameaças ainda maiores. Os vazamentos de dados, ataques de ransomware e as fraudes de identidade estão entre os principais desafios das organizações modernas. 

Neste contexto, o board precisa compreender que o futuro da segurança envolve a integração de todas as análises de risco, englobando proteção física, cibernética e patrimonial.  

Afinal, um incidente cibernético pode interromper toda a operação, expor informações de clientes e destruir valor de mercado em poucas horas. Ou seja, não é apenas TI ou monitoramento do controle de acesso. É uma segurança integrada, fazendo parte da estratégia de negócios. 

7. Segurança é diferencial competitivo  

A segurança deixou de ser vista apenas como uma obrigação, passando a representar um diferencial competitivo no mercado. Assim, as empresas que demonstram governança sólida, políticas antifraude eficazes e cultura de integridade conquistam vantagens como: 

  • Redução de riscos operacionais, financeiros e reputacionais; 
  • Criação de negócios seguros; 
  • Atração e retenção de talentos; 
  • Fortalecimento da imagem da marca; 
  • Aumento nas vendas para consumidores; 
  • Garantia de cumprimento de regulações e legislações; 
  • Consolidação da posição ante parceiros. 

Nesse sentido, o board deve enxergar a segurança e a análise de risco estratégico não como custo, mas como um catalisador para o crescimento sustentável. 

Como integrar o board às estratégias antifraude? 

Integrar o board ao combate a fraudes significa levar o tema para a pauta estratégica da organização. Não se trata apenas de acompanhar relatórios ou aprovar orçamentos para segurança, mas de participação ativa, deliberativa e orientadora nas iniciativas de prevenção, detecção e resposta. 

Confira medidas para colocar as fraudes no radar da alta liderança como um risco estratégico: 

1. Tornar a fraude pauta fixa nas reuniões de conselho 

Muitas empresas ainda tratam riscos de fraude de forma episódica, apenas quando ocorre um incidente grave. Mas é preciso que o tema seja recorrente na agenda do board, incluindo a criação de: 

  • Relatórios de riscos de fraude e segurança nas reuniões do conselho; 
  • Painel de indicadores estratégicos (KPIs) que mostrem o monitoramento dos riscos e as vulnerabilidades. 

2. Definir responsabilidades do board em relação à fraude 

Sem clareza de papéis, há o risco de que o board delegue integralmente o tema às áreas técnicas, perdendo o olhar estratégico. 

Portanto, as empresas precisam determinar que o board avalie e aprove políticas antifraude, assim como tenha a responsabilidade de supervisionar investigações de alto impacto. 

3. Criar um Comitê de Riscos com foco em fraude 

Os comitês especializados permitem aprofundar análises e apresentar recomendações mais eficazes ao board sobre o risco estratégico das fraudes.  

Nesse sentido, vale a pena instituir esse grupo com participação de especialistas de diversas áreas internas, garantindo a integração entre departamentos de compliance, jurídico, auditoria, TI, fraudes e segurança patrimonial. 

4. Estabelecer métricas estratégicas de combate à fraude 

Se não houver indicadores, a alta liderança não tem visibilidade real do impacto das ações antifraude. Então, além de definir e monitorar os KPIs, é importante relacioná-los à estratégia corporativa, mostrando como a redução de fraudes preserva valor e reputação. 

5. Capacitar o board sobre riscos emergentes 

A fraude evolui rapidamente, principalmente no ambiente digital e com o advento das tecnologias, como a inteligência artificial. Os executivos que não acompanham essas mudanças podem subestimar os riscos.  

Neste cenário, pode-se promover workshops e treinamentos exclusivos para conselheiros e C-levels sobre as tendências globais de fraudes e cibersegurança. 

6. Garantir cultura de ética e integridade vinda do topo 

Nenhum programa antifraude é eficaz se a liderança não dá o exemplo. Para criar uma cultura corporativa de ética e segurança, o board deve ser o primeiro a cumprir e reforçar códigos de conduta. 

7. Monitorar e revisar os programas antifraude 

Com os novos modelos de fraudes surgindo continuamente, é necessário realizar a atualização constante dos programas de combate a fraudes. Sem contar que as mudanças regulatórias também exigem a reavaliação das políticas, controles e processos. 

8. Integrar a visão de riscos ao planejamento estratégico 

Muitas vezes, as empresas fazem planos de crescimento sem considerar o risco estratégico de fraudes inerentes às novas operações. No entanto, todo planejamento deve incluir uma análise de riscos de segurança, avaliando o impacto em reputação, compliance regulatório e sustentabilidade de longo prazo. 

Como a GIF International contribui no combate a fraudes

Assim, os executivos precisam enxergar segurança, prevenção e análise de riscos como temas de governança corporativa. Nesse contexto, ter ao lado uma consultoria especializada e experiente, como a GIF International, é o caminho. 

Com mais de 30 anos de atuação, a GIF International se consolidou como parceira estratégica de empresas que buscam transformar o risco de fraudes em pilares de sustentabilidade e crescimento. 

Nosso ecossistema de soluções integradas de combate a fraudes contempla todas as fases do ciclo de gestão de fraudes: 

  • Prevenção inteligente; 
  • Detecção rápida; 
  • Investigação estruturada; 
  • Mitigação de riscos. 

Com soluções flexíveis e personalizadas, apoiamos conselhos e executivos na tomada de decisões estratégicas, assegurando não apenas a proteção contra perdas, mas também o fortalecimento da reputação.  

Sua empresa está preparada para enfrentar a fraude como risco estratégico? Entre em contato com nossos especialistas agora mesmo! 

FAQ – Perguntas frequentes sobre riscos estratégicos 

O que é risco estratégico? 

É qualquer evento ou condição que possa comprometer a capacidade de uma empresa de atingir seus objetivos estratégicos, afetando seu crescimento, competitividade, reputação ou continuidade operacional. 

Qual a diferença entre risco estratégico e risco operacional? 

O risco estratégico está relacionado às decisões e fatores que impactam os objetivos de longo prazo da organização. Já o risco operacional está ligado a falhas em processos, pessoas, sistemas ou atividades do dia a dia. 

O que é gestão de riscos estratégicos? 

É o processo contínuo de identificar, avaliar, priorizar, tratar e monitorar riscos capazes de afetar a estratégia e o desempenho da organização. 

Quem é responsável pela gestão de riscos estratégicos? 

A responsabilidade é compartilhada entre a alta liderança, Conselho de Administração, gestores de negócio e áreas especializadas, como riscos, compliance, auditoria, segurança corporativa e segurança da informação. 

Como as fraudes podem se tornar um risco estratégico? 

Além dos prejuízos financeiros, as fraudes podem comprometer a reputação da empresa, gerar sanções regulatórias, interromper operações, afetar a confiança de investidores e impactar diretamente o planejamento estratégico. 

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