Em um cenário onde empresas de todos os setores estão cada vez mais digitalizadas, o roubo de informações se consolidou como o crime corporativo mais lucrativo e, ao mesmo tempo, o mais silencioso.
Hoje, não é exagero afirmar que dados são o novo “petróleo” do crime organizado. Eles podem ser vendidos, manipulados, usados como chantagem, explorados para fraudes financeiras, espionagem industrial e até mesmo para operações de engenharia social de alto impacto.
Afinal, não importa o tamanho da empresa ou o setor em que ela atua. Toda organização possui dados valiosos. Credenciais, bases de clientes, propriedade intelectual, contratos, dados financeiros, informações sensíveis, prontuários, lista de fornecedores… tudo pode ser monetizado no submundo digital.
Inclusive, vale destacar que o custo médio de uma violação de dados alcançou US$ 4,99 milhões em 2025 no mundo, um aumento de 12% sobre o ano anterior, segundo levantamento da IBM.
O roubo de informações não é mais um ataque isolado. Ele se tornou o primeiro passo para quase todo tipo de fraudes modernas e gestores de TI e segurança da informação precisam entender a fundo como essa engrenagem funciona para conseguir mitigá-las.
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Por que os dados se tornaram o ativo mais visado?
Há alguns anos, o foco dos ataques era paralisar sistemas, alterar websites, roubar dinheiro diretamente ou sabotar operações. Atualmente, o interesse principal se deslocou para algo muito mais valioso: informações.
Isso aconteceu por quatro razões fundamentais:
1. Dados são fáceis de transportar e difíceis de rastrear
Um invasor não precisa mais de acesso físico. Ele pode copiar gigabytes de informações em minutos, criptografá-las e despachá-las para um servidor clandestino em qualquer lugar do mundo.
2. A economia do cibercrime se profissionalizou
Existem marketplaces na dark web, em que listas de credenciais são vendidas em pacotes, bases de clientes são comercializadas por setor, segredos industriais têm preço por tipo de indústria, ou prontuários médicos valem até 10 vezes mais que dados financeiros, devido ao valor estratégico para fraudes.
Para se ter uma ideia, um estudo da NordVPN mostrou o valor das informações na parte obscura da internet:
- Cartões de pagamento: preço médio de US$ 13;
- “Fullz” (conjunto completo de dados pessoais de uma pessoa): custa apenas US$ 40;
- Conta brasileira do Office365 é vendida, em média, por US$ 26,50. Assim, o fraudador consegue acesso à caixa de entrada da vítima e pode redefinir a senha dos outros serviços usados do alvo.
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3. Dados permitem múltiplas monetizações
O mesmo conjunto de dados pode render lucro de diferentes maneiras:
- Venda direta;
- Extorsão (ransomware);
- Chantagem a indivíduos internos;
- Engenharia social direcionada (phishing altamente personalizado);
- Fraudes financeiras;
- Espionagem industrial;
- Sequestro de identidade.
4. A dependência digital das empresas aumentou
Quanto mais digitalizada é a operação, maior o impacto do roubo. Não se trata apenas de TI, já que os dados sustentam logística, produção, folha de pagamento, relacionamento com clientes, compliance, finanças e tudo mais. Em outras palavras, o roubo de informações significa roubar a capacidade operacional da empresa.
5. Extorsão para obter vantagens financeiras
Os dados roubados podem ser utilizados como instrumento de pressão junto às empresas afetadas, mesmo quando os sistemas da vítima continuam funcionando. Assim, os criminosos podem solicitar um valor de resgate para ‘devolver’ as informações para as organizações.
6. Ataques futuros são facilitados com o roubo de informações
Cada dado roubado hoje pode ser usado para um ataque diferente amanhã.
- Credencial pode permitir acesso;
- Organograma pode facilitar engenharia social;
- Lista de fornecedores pode ajudar um ataque à cadeia de suprimentos;
- Documento interno pode permitir um golpe extremamente convincente.
Quais informações são mais visadas pelos criminosos?
É comum imaginar que apenas dados financeiros são alvo. Na prática, os criminosos buscam qualquer tipo de dado que gere vantagem econômica ou estratégica.
Os mais visados são:
Credenciais de acesso (logins, tokens, chaves de API e credenciais privilegiadas): esse é o tipo de dado mais usado para ataques subsequentes, porque permite que o invasor se esconda atrás de uma identidade legítima.
Dados pessoais e sensíveis (CPF, RG, endereço, contatos de clientes, dados de funcionários, histórico de saúde e dados biométricos): tais informações são valiosas, porque têm grande uso em fraudes financeiras.
Propriedade intelectual e segredos industriais (fórmulas químicas, projetos de engenharia, protótipos, estratégias de mercado e algoritmos proprietários): setores como indústria, energia e farmacêuticos são os mais afetados.
Dados estratégicos da empresa (relatórios financeiros, planilhas de precificação, propostas comerciais e cronogramas de lançamento de produtos): esse tipo de informação é usado em chantagem, espionagem e manipulação competitiva.
Dados operacionais (logs de sistemas, informações de inventário, dados de produção ou mapas de infraestrutura): o roubo desses dados pode comprometer completamente operações críticas.
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Mas o que é o roubo de informações?
É a obtenção, cópia, extração ou transferência não autorizada de dados, documentos ou conhecimentos pertencentes a uma pessoa ou organização.
O termo é amplo e pode envolver diferentes métodos, desde phishing e comprometimento de credenciais até exploração de vulnerabilidades, malware, ransomware, abuso de acessos legítimos ou atuação de pessoas internas.
Como ocorre o roubo de informações? Confira os métodos principais
O roubo de informações raramente acontece por um único fator. Em geral, é o resultado de uma cadeia de falhas técnicas, humanas ou processuais. Veja os métodos mais utilizados atualmente.
Engenharia social e phishing: o caminho mais rápido
Mesmo com tecnologias avançadas, o elo mais vulnerável continua sendo o ser humano. Por isso, as formas mais comuns de roubo de informações incluem:
- Phishing tradicional: e-mails que imitam comunicações reais e pedem login, redefinição de senha ou atualização de cadastro.
- Spear-phishing: ataques personalizados com informações reais da vítima, tornando a fraude quase impossível de detectar.
- Business Email Compromise (BEC): fraudadores invadem e-mails corporativos para se passar por diretores, aprovando transações, solicitando arquivos ou pedindo acesso a sistemas.
- Smishinge vishing: fraudes por SMS e ligações telefônicas, frequentemente combinadas com engenharia social avançada.
Comprometimento de credenciais
Senhas, tokens e outras credenciais podem dar ao criminoso uma porta de entrada sem que seja necessário explorar diretamente uma vulnerabilidade do sistema.
O problema é especialmente relevante quando uma mesma identidade possui privilégios elevados ou quando as credenciais comprometidas permitem acessar diferentes aplicações. A Verizon identificou que credenciais comprometidas foram um vetor inicial de acesso em 22% das violações.
Por isso, o roubo de uma credencial não deve ser tratado apenas como um problema de senha. A identidade comprometida pode se transformar em um caminho para o roubo de informações, fraude e movimentação dentro do ambiente corporativo.
Exploração de vulnerabilidades técnicas
Softwares desatualizados, servidores expostos, APIs sem autenticação forte e falhas em aplicações web são vetores amplamente explorados para o roubo de informações.
No estudo da Verizon, a exploração de vulnerabilidades representou 31% das violações e ultrapassou, pela primeira vez, o uso de credenciais roubadas como principal ponto de entrada.
Malware e infostealers
Malwares também podem ser utilizados para capturar informações diretamente dos dispositivos. Entre eles estão os chamados infostealers, projetados para coletar credenciais, senhas, cookies, informações de navegador e outros dados que podem ser utilizados posteriormente.
Nesse caso, o roubo pode acontecer antes mesmo de o criminoso tentar acessar diretamente os sistemas corporativos. Em primeiro lugar, ele obtém as informações; depois, decide como monetizá-las ou utilizá-las em outros ataques.
Ransomware e dupla extorsão
O ransomware evoluiu. Hoje, os criminosos exfiltram tudo o que conseguirem de máquinas e sistemas, criptografam os arquivos e, depois, fazem a chantagem em duas etapas:
- Exigem resgate para descriptografar os dados;
- Exigem outro pagamento para não vazar as informações roubadas.
Esse modelo é tão lucrativo que quase todos os grupos de ransomware passaram a adotar o método.
Nos Estados Unidos, em 2024, houve 1.476 incidentes desse tipo com pedidos de resgate e US$ 734 milhões em pagamentos, de acordo com o Financial Trend Analysis.
Ameaças internas: colaboradores aliciados ou negligentes
Nem todo roubo de informações vem de fora, com a ocorrência de muitas fraudes internas. Nestes casos, existem três perfis comuns:
- Malicioso: colaborador que rouba dados por ganho financeiro, vingança ou apoio a concorrentes;
- Negligente: funcionário que expõe informações sem intenção, deixando credenciais abertas, usando dispositivos pessoais, enviando documentos a e-mails errados;
- Aliciado: colaboradores abordados por grupos criminosos para facilitar o acesso à empresa.
Ataques à cadeia de fornecedores
É comum que um invasor entre por um fornecedor menor e, a partir dele, escale lateralmente até atingir a empresa principal.
Isso porque sistemas compartilhados, integrações, softwares utilizados por diversas empresas e acessos concedidos a fornecedores ampliam a superfície de exposição. Ou seja, proteger os dados corporativos exige olhar além da infraestrutura própria.
Vazamento por cloud ou ferramentas SaaS mal configuradas
O acesso a novas ferramentas e plataformas trouxe benefícios, mas também erros frequentes, como permissões excessivas, acessos públicos indevidos, logs expostos, backups acessíveis externamente, entre outros. Muitas empresas sequer percebem quando esses dados estão abertos.
Roubo de informações e sequestro de dados: o modelo mais lucrativo
O sequestro de informações é hoje o braço mais agressivo do roubo de dados. A lógica é simples. O criminoso invade, copia tudo o que puder, criptografa ou exclui os arquivos originais e exige um resgate para devolver acesso e outro pagamento para não publicar os dados. Mas, em muitos casos, é possível vender os dados mesmo assim. Ou seja, não há garantia de que pagar o resgate resolva o problema.
Esse movimento se acelerou porque o lucro é alto e rápido, a exfiltração é difícil de detectar, o impacto para a empresa é imediato e os dados ainda podem ser revendidos.
Alguns grupos chegam a criar sites próprios onde expõem as empresas vítimas, quase como vitrines de chantagem.
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Quando uma vulnerabilidade pode expor várias empresas
Um exemplo recente ajuda a entender por que o roubo de informações deixou de ser um problema restrito ao perímetro de uma única organização. Em agosto de 2026, o grupo Cl0p afirmou ter comprometido dezenas de grandes empresas em uma campanha relacionada a vulnerabilidades em determinadas plataformas.
Mais de 40 organizações foram citadas pelo grupo, incluindo grandes multinacionais. O ponto mais importante do episódio é a escala que uma única vulnerabilidade em uma tecnologia utilizada por diferentes organizações pode alcançar.
Quando uma empresa depende de uma plataforma, fornecedor ou aplicação compartilhada, parte do risco de segurança também passa a estar relacionada à segurança daquele ecossistema.
Como mitigar o risco de roubo de informações?
O combate ao roubo de informações exige uma abordagem em camadas: pessoas, processos e tecnologia.
Levantamento das informações a serem protegidas
Antes de definir controles, a empresa precisa entender quais informações possui e quais delas poderiam causar maior impacto caso fossem roubadas.
Dados pessoais, credenciais, informações financeiras, propriedade intelectual, contratos e informações estratégicas podem exigir diferentes níveis de proteção. Sem essa classificação, existe o risco de aplicar controles igualmente rígidos a tudo ou, no sentido contrário, deixar informações críticas com proteção insuficiente.
Controle de acesso às informações
Quanto maior o número de pessoas, sistemas e terceiros com acesso a uma informação, maior tende a ser a superfície de exposição. A gestão de identidades e acessos deve considerar o princípio do menor privilégio, em que cada usuário deve possuir apenas os acessos necessários para desempenhar sua função.
Programas de conscientização contínua
É fundamental treinar as equipes sobre os riscos de fraudes e engenharia social, com simulações de phishing, casos reais e atualizações sobre golpes recentes. Assim, é possível que a equipe reconheça falsas solicitações de TI, mensagens urgentes, pedidos incomuns de superiores e links suspeitos.
Políticas claras sobre uso de dispositivos
A área de compliance e tecnologia deve criar políticas e procedimentos para os colaboradores sobre uso de Wi-Fi corporativo, controle sobre dispositivos pessoais (BYOD), proibição de armazenamento local, e backup apenas em sistemas homologados.
Mecanismos de denúncia interna
Com canais de denúncias, as empresas conseguem receber alertas sobre aliciamento de colaboradores, acessos indevidos a sistemas e potenciais comportamentos de risco de funcionários.
Avaliação de fornecedores
É necessário entender quais informações são compartilhadas com fornecedores, quais terceiros possuem acesso aos ambientes corporativos e como esses acessos são controlados.
Redução da exposição a vulnerabilidades
Manter sistemas atualizados e corrigir vulnerabilidades conhecidas continua sendo uma das medidas mais importantes contra invasões.
Plano de resposta a incidentes
Este processo serve de guia de primeiros passos em caso de algum incidente, incluindo o roubo de informações, o que deve ser feito, os fluxos de comunicação, o checklist para mitigação do caso e os responsáveis por área.
Proteção de credenciais
Senhas fortes continuam importantes, mas não são suficientes para ambientes críticos. MFA, criptografia, gestão de contas privilegiadas e monitoramento de atividades ajudam a dificultar que uma credencial comprometida se transforme automaticamente em acesso amplo ao ambiente.
- MFA: a autenticação em duplo fator é uma das medidas mais simples e de maior impacto;
- Criptografia completa em trânsito e em repouso, incluindo backups;
- Proteção de cloud com políticas de identidade, análise de configuração, monitoramento contínuo, segmentação de redes e autenticação forte em APIs;
- Backups imutáveis preferencialmente offline e testados regularmente.
Contenção imediata e isolamento do incidente
No caso de roubo de informações consumados, o primeiro passo é impedir que o ataque continue se propagando. Isso inclui desconectar dispositivos e contas comprometidas, revogar acessos suspeitos, monitorar movimentos laterais na rede, e registrar o estado atual dos sistemas antes de qualquer ação corretiva
Essa contenção inicial reduz o impacto e preserva evidências essenciais.
Coleta e preservação de evidências digitais
A equipe de investigação forense, seja interna ou terceirizada, deve iniciar uma análise forense para identificar:
- Como o invasor entrou;
- Quais credenciais foram exploradas;
- Que arquivos foram acessados, copiados ou exfiltrados;
- Se houve uso de engenharia social, malware ou credenciais vazadas.
Portanto, preservar logs, discos, dispositivos e histórico de acesso é crucial para reconstruir a linha do tempo do ataque.
Avaliação do dano real e do risco jurídico
As empresas precisam mapear exatamente o que foi roubado:
- Dados pessoais;
- Dados financeiros;
- Propriedade intelectual;
- Estratégias de negócio;
- Credenciais de acesso.
Esse diagnóstico define obrigações legais (como notificação a clientes e à ANPD) e serve como base para decisões estratégicas, como negociação de resgate em casos de sequestro de dados.
Acompanhamento contínuo para evitar recorrência
As investigações de roubo de informações não terminam com a identificação da causa. É essencial gerar um plano de ação pós-incidente, incluindo:
- Correções de vulnerabilidades;
- Reforço de políticas de acesso;
- Revisão de terceirizados e fornecedores;
- Treinamento dos times mais expostos;
- Monitoramento reforçado nas semanas seguintes.
Apoio especializado é determinante
Consultorias especializadas, como a GIF International, entram justamente nesse ponto crítico. Com metodologias avançadas de investigação corporativa, inteligência analítica e forense digital, é possível:
- Rastrear a origem do vazamento;
- Identificar envolvidos internos ou externos;
- Reconstruir o caminho da informação roubada;
- Reduzir danos financeiros e reputacionais;
- Orientar a empresa durante momentos de crise e tomada de decisão.
Na GIF International, ajudamos as empresas a prevenir, detectar e responder rapidamente a roubos de informações, ataques internos, fraudes e sequestro de dados.
Se sua empresa quer avaliar riscos, investigar casos ou fortalecer sua estratégia de proteção, a GIF está pronta para apoiar. Entre em contato conosco agora mesmo!
FAQ — Principais dúvidas sobre roubo de informações
O que é roubo de informações?
Roubo de informações é a obtenção, cópia, extração ou transferência não autorizada de dados ou informações pertencentes a uma pessoa ou organização. Em empresas, pode envolver dados pessoais, credenciais, informações financeiras, propriedade intelectual, contratos, documentos estratégicos e dados operacionais.
Qual é a diferença entre roubo de informações e vazamento de dados?
O roubo de informações pressupõe uma obtenção ou utilização não autorizada dos dados. Já o vazamento de dados está relacionado à exposição ou divulgação indevida de informações e pode ocorrer tanto de forma criminosa quanto acidental.
Como acontece o roubo de dados?
O roubo pode ocorrer por phishing, engenharia social, comprometimento de credenciais, exploração de vulnerabilidades, malware, ransomware, ameaças internas ou comprometimento de fornecedores e terceiros. Em muitos ataques, diferentes técnicas são utilizadas em sequência.
Um funcionário pode roubar informações da empresa?
Sim. Uma pessoa com acesso legítimo pode copiar, transferir, compartilhar ou utilizar informações de maneira indevida. O risco pode ser intencional ou decorrer do comprometimento da conta de um funcionário por criminosos.
Como saber se os dados da empresa foram roubados?
Alguns sinais incluem acessos incomuns, movimentações anormais de arquivos, alterações inesperadas de privilégios, dispositivos desconhecidos, atividades fora do padrão e alertas de credenciais comprometidas. No entanto, nem todo roubo deixa sinais evidentes, o que torna monitoramento, registros e investigação importantes.
*Artigo atualizado em 14 de setembro de 2026














