A partir de 2 de fevereiro de 2026, o Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) no PIX tornou-se obrigatório para todas as instituições participantes sob as normas do Banco Central do Brasil.
Até então, após o lançamento da versão atualizada em novembro de 2025, o uso era facultativo, mas agora passa a ser exigido com um prazo de adaptação técnica até maio de 2026 antes da supervisão plena entrar em vigor.
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O que é o MED 2.0?
O MED 2.0 é uma evolução do Mecanismo Especial de Devolução, originalmente criado em 2021 e utilizado pelo sistema do PIX para tratar fraudes, golpes e devoluções de valores enviados indevidamente.
O mecanismo corrige limitações importantes da versão anterior, ampliando drasticamente a capacidade de rastrear valores e bloquear recursos em toda a cadeia de contas envolvidas em um golpe.
Vale lembrar que, em 2025, foram recuperados em média 9,3% dos valores contestados. Então, com o objetivo de aumentar a taxa de recuperação, o MED 2.0 passa a rastrear o caminho do dinheiro além da 1ª conta receptora.
Quais as principais mudanças com o MED 2.0?
1. Rastreio em cadeia
- O mecanismo segue o caminho do valor transferido, não apenas a primeira conta receptora.
- Isso possibilita bloquear valores mesmo depois de várias transferências intermediárias (uma prática comum em fraudes organizadas).
2. Bloqueios automáticos em várias camadas
- O sistema agora é capaz de bloquear automaticamente contas sucessivas relacionadas à fraude, aumentando a chance de recuperar os valores.
3. Contestação simplificada para usuários
- Desde outubro de 2025, existe um botão de contestação diretamente no aplicativo do banco, sem necessidade de atendimento humano, o que acelera a abertura do processo de devolução.
4. Prazos orientativos
- Após acionamento pelo usuário, as instituições têm um período, normalmente, de até 7 dias, para concluir a análise e efetuar a devolução, se a fraude for comprovada.
5. Continua irreversível na maioria dos casos
- O PIX segue sendo, em regra, irreversível, ou seja, a devolução ocorre apenas nos casos comprovados de fraude ou golpes, como engenharia social, QR Codes adulterados ou vendedores inexistentes.
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Em resumo
| Aspectos | Antes | Agora (MED 2.0 obrigatório) |
| Rastreamento | Apenas conta receptora | Cadeia inteira de transferências |
| Bloqueio | Manual ou limitado | Bloqueio automático em múltiplas camadas |
| Contestação | Atendimento humano | Botão digital direto no app |
| Prazos | Variáveis | Padrão ~7 dias para análise |
| Obrigatoriedade | Opcional | Obrigatório a partir de 02/02/2026 |
Como pedir devolução do PIX em caso de fraude
Mesmo com o MED 2.0, muitos usuários ainda não sabem como acionar a devolução do PIX corretamente. Esse desconhecimento impacta diretamente a taxa de recuperação de valores.
O fluxo padrão para pedir devolução do PIX em caso de fraude é:
- Acesse o app do seu banco ou instituição de pagamento: desde a atualização de outubro de 2025, as instituições são obrigadas a disponibilizar o botão de contestação diretamente no aplicativo.
- Selecione a transação suspeita: localize o PIX que você não reconhece ou que foi realizado sob fraude.
- Clique em “Contestar” ou “Reportar fraude”: o sistema registra automaticamente o pedido no MED 2.0.
- Descreva o ocorrido (se solicitado): algumas instituições pedem um breve relato para acelerar a triagem.
- Acompanhe o status da análise: o banco tem, em média, até 7 dias para avaliar o caso e, se comprovada a fraude, acionar os bloqueios e devoluções em cadeia.
É importante agilidade no processo. Quanto mais rápido o usuário acionar o MED, maiores são as chances de bloqueio dos valores.
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Como funciona a devolução do PIX com o MED 2.0
O funcionamento da devolução do PIX rastreia o caminho completo do dinheiro, bloqueia automaticamente contas intermediárias, amplia o alcance do bloqueio mesmo após múltiplas transferências e cria um fluxo padronizado entre instituições financeiras.
Na prática, o processo funciona assim:
- Usuário aciona a contestação no app;
- Instituição de origem dispara o MED 2.0;
- As instituições envolvidas no fluxo recebem a notificação;
- Valores são bloqueados em múltiplas camadas;
- Se confirmada a fraude, ocorre a devolução parcial ou total do valor disponível.
Fraude da devolução do PIX
Com a popularização do MED e das campanhas educativas sobre devolução do PIX, surgiu um novo vetor de fraude: o golpe da devolução do PIX.
Nesse esquema, criminosos entram em contato com a vítima fingindo ser do banco ou da “central do PIX”, afirmam que uma devolução está em andamento, solicitam códigos, links ou “confirmações de identidade”, ou induzem a vítima a realizar novas transferências para “regularizar” o processo.
No entanto, vale destacar que nenhuma instituição financeira pede senha, token ou código por telefone e os bancos não solicitam que o cliente faça um PIX “para validar a devolução”. Para completar, o processo do MED ocorre dentro do aplicativo oficial da instituição.
Então, fica claro que, ao mesmo tempo que o MED 2.0 melhora a segurança do ecossistema, é fundamental realizar campanhas educativas para evitar novos golpes que se aproveitam da narrativa da devolução.
Quais os objetivos do MED 2.0?
Impacto nas fraudes
- A expectativa regulatória é de redução de perdas sistêmicas com fraudes digitais e aumento da confiança dos usuários no PIX.
- Esquemas criminosos que dependem de pulverização do dinheiro em múltiplas contas ficam mais difíceis de serem bem-sucedidos.
Experiência do cliente
- Consumidores agora têm caminho mais rápido e digital para contestar fraudes, o que melhora a percepção de segurança e confiança no uso do PIX em transações B2C e C2B.
Implicações estratégicas no ecossistema financeiro
O avanço regulatório com o MED 2.0 torna o ecossistema financeiro e de pagamentos digitais mais seguro, rastreável e regulado, o que fortalece a confiança de consumidores e empresas. Porém, isso também gera impactos diretos na operação das organizações que utilizam o PIX como canal de recebimento.
Veja implicações:
Bancos e fintechs
- Investimentos em tecnologia, rastreamento e monitoramento serão necessários para cumprir a nova regra;
- Instituições precisarão integrar sistemas com maior robustez e rastrear transações em cadeia;
- A medida eleva a responsabilização institucional, com fiscalização mais efetiva a partir de maio.
Marketplaces, e-commerces, plataformas de serviços e varejo digital
- Revisão processos de conciliação financeira, fluxos de devolução e chargeback via MED;
- Atualização de procedimentos de atendimento ao cliente em casos de contestação;
- SLA de resposta para incidentes de fraude;
- Integração de dados transacionais com bancos parceiros.
Áreas de risco e compliance das empresas
- Revisão de políticas internas de monitoramento de pagamentos;
- Atualização de frameworks de análise transacional;
- Adaptação de procedimentos de resposta a incidentes;
- Criação de regras de correlação para fluxos em cadeia;
- Garantir a aderência regulatória às normas do Banco Central.
Como a GIF International pode apoiar o ecossistema financeiro com o MED 2.0
O fortalecimento regulatório do PIX com o MED 2.0 mostra que o ecossistema financeiro brasileiro está caminhando para um ambiente mais seguro, rastreável e confiável. Mas tecnologia e regulação, sozinhas, não resolvem fraudes estruturadas.
A GIF International atua como consultoria estratégica de antifraude, com mais de 30 anos de mercado, apoiando empresas em toda a jornada de combate às fraudes:
- Prevenção e detecção de fraudes;
- Investigações especializadas de fraudes no PIX, account takeover, falsidade ideológica, autofraude, entre outros tipos de fraudes;
- Análise forense digital e resposta a incidentes;
- Prevenção à lavagem de dinheiro;
- Implementação e revisão de processos de Know Your Customer;
- Risk Assessment com avaliações detalhadas de riscos para identificar vulnerabilidades.
Nosso ecossistema de soluções completas e integradas permite que bancos, fintechs e empresas que recebem PIX não apenas respondam a incidentes, mas interrompam ciclos de fraude, evitam reincidências e se fortaleçam frente a fraudes cada vez mais sofisticadas.
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