Com o crescimento do comércio eletrônico nos últimos anos, houve o aumento no transporte de mercadorias para que as empresas realizem as entregas aos consumidores. Ao mesmo tempo, as organizações tiveram que lidar com mais problemas logísticos e de segurança, como o furto e roubo de cargas no Brasil.
Afinal, o transporte de cargas sempre foi um desafio constante para as empresas com relação à segurança. Isso porque, nos deslocamentos em rodovias e mesmo dentro das cidades, existe um grande risco de ataques para furtar ou roubar os produtos dos mais diversos tipos.
O Brasil, aliás, é um dos países com maior número de ocorrências no mundo, de acordo com o relatório BSI & TT Club Cargo Theft.

Mas o que é o roubo de cargas?
O roubo de cargas é um crime que tem como alvo a mercadoria transportada, seja em transporte rodoviário, ferroviário, aéreo ou multimodal, com a intenção de subtrair o bem de seu legítimo proprietário.
Normalmente, essa prática pode envolver interceptação da carga em trânsito, uso de violência ou ameaça, conluio com funcionários ou terceiros (motoristas ou prestadores) e exploração de vulnerabilidades operacionais.
O que diz a legislação sobre o crime de roubo de cargas?
O crime de roubo tem uma pena de 4 a 10 de prisão, na modalidade simples, segundo a legislação brasileira. Porém, se a carga for de alto valor, como itens de tecnologia e metais preciosos, pode gerar um aumento de pena de até um terço.
Roubo de cargas no Brasil afeta todo o mercado
Fica claro que o roubo de cargas no Brasil deixou de ser um problema isolado para se tornar uma das maiores ameaças à operação de logística e transporte no país. Nos últimos anos, nosso país vem registrando números elevados de casos.
No 1º trimestre de 2024, o roubo de cargas no Brasil registrou 3.639 ocorrências, revela o levantamento da Overhaul. Isso representa uma média de 1.213 casos por mês, ou seja, cerca de 40 por dia.
É verdade que houve uma queda de 20,6% nos incidentes, em relação ao mesmo período de 2023. No entanto, o número alto continua a deixar em alerta, principalmente, os setores de transportes, logística e e-commerce. De janeiro a março, 23% do total de roubo de cargas no Brasil teve a ver com mercadorias compradas em lojas virtuais.
Mas a preocupação não para por aí. Organizações de outros segmentos, que precisam fazer entregas de grandes quantidades em outras empresas, comércios e indústrias, também estão de olho nestes indicadores.
Entre os produtos mais roubados estão:
- Caminhões com carregamentos diversos: 44%
- Cargas agrícolas, como sementes e agrotóxicos: 12%
- Eletroeletrônicos: 11%
- Tabaco e alimentos e bebidas: 7%
- Veículos e autopeças: 6%
- Bebidas alcoólicas: 3%
Engana-se quem pensa que as ocorrências acontecem só em rodovias. Os roubos são realizados em diversos locais. O que muda é o modus operandi e os envolvidos. Pelas estatísticas recentes, 59% dos incidentes foram em centros urbanos, 38% nas estradas ou rodovias e 3% em armazéns e centros de distribuição.
Vale destacar que, apesar da queda dos índices gerais de roubo de cargas no Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram aumento e correspondem a 86% do total do país. O predomínio do crime no Sudeste pode estar relacionado com a facilidade de escoamento das mercadorias.

Subnotificação de crimes de roubo de carga no Brasil
Não podemos esquecer que existe uma subnotificação dos crimes de roubo de carga. Isso acontece por causa da tipificação penal no Brasil, que classifica as ocorrências, principalmente, dentro de cidades e com vans ou carros que transportam produtos como roubo de veículo ao invés de carga.
Dessa forma, cria-se uma distorção da realidade, já que muitos casos não são contabilizados, o que pode impactar a análise das empresas sobre os riscos, a geração de dados verídicos sobre locais de perigo e a tomada de decisão estratégica em relação a rotas mais seguras.
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Importância de evitar os roubos de cargas no Brasil
Prejuízo financeiro
Nenhum negócio está livre dessas ocorrências, uma vez que as cargas, independentemente do tipo, possuem alto valor e demanda constante no mercado, como eletrônicos, medicamentos, bebidas, autopeças e outros. Assim, os criminosos conseguem rapidamente revender os itens.
Como consequência, as organizações ficam no prejuízo financeiro. Para se ter uma ideia, as perdas estimadas são de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, segundo dados da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística).
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Reputação e confiança
As empresas ainda podem ver sua reputação manchada por não fazerem a entrega dentro do tempo previsto, gerando insatisfação e abalando a confiança dos consumidores. O atraso, inclusive, lidera as reclamações de clientes que fazem compras na internet, sendo 38% do total de queixas, de acordo com pesquisa do Reclame Aqui.
Impacto na economia
Um dos grandes problemas do roubo de cargas no Brasil é o efeito na economia, impactando os próprios consumidores. Professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da USP, Luciano Nakabashi explicou esse fenômeno.
“Para inserir um produto no mercado tem o custo de produção, o custo fiscal e outros custos decorrentes de roubos, por exemplo. Isso aumenta o preço final e quem paga é o consumidor”, comentou.
Presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, completou: “Os custos com o roubo de carga vão além da perda direta. O incremento dos custos de prevenção, com seguros e escolta, afeta todo o setor produtivo e não apenas as vítimas diretas do crime.”
Táticas mais comuns de roubo de cargas no Brasil
O roubo de cargas hoje é mais profissionalizado e pode envolver:
Conluio interno: colaboradores com acesso legítimo ajudam a organizar roubos, como motoristas, funcionários da área de planejamento de rotas, profissionais que trabalham no estoque, entre outros.
Engenharia social: ataques de engenharia social como falso bloqueio policial ou falsa ordem de redirecionamento são usados para confundir motoristas e gestores, forçando mudanças de rotas para locais com menor iluminação e menor segurança, facilitando o trabalho das quadrilhas.
Planejamento operacional: grupos utilizam dados públicos e privados para escolher rotas, horários e segmentos mais vulneráveis para atacar.
Fraudes documentais: com o uso de documentos falsos, é possível liberar cargas em pontos estratégicos ou criar rotas alternativas. Assim, é possível direcionar os veículos para áreas do interesse dos fraudadores.
Essa profissionalização torna o roubo de cargas um problema que exige mais do que vigilância física ou ações isoladas, necessitando de inteligência e estratégia integradas.
Os principais desafios do roubo de cargas no Brasil
A prevenção e o combate ao roubo de cargas no Brasil apresentam desafios significativos, principalmente por conta da extensão geográfica do país, da variedade de mercadorias que são transportadas, do tamanho das frotas e das dificuldades enfrentadas nas rotas.
Veja questões que as empresas precisam considerar na hora de planejar o transporte de cargas e os riscos envolvidos:
Problemas com a malha rodoviária
Muitas estradas possuem condições péssimas de transporte, o que facilita a ações de grupos que já conhecem os locais e sabem de pontos de vulnerabilidade para atacar caminhões, vans e outros veículos.
Manutenção veicular em dia
Quando os veículos de transporte sofrem com panes e problemas que obrigam sua parada durante um deslocamento, abre-se uma vulnerabilidade na operação e os motoristas ficam mais vulneráveis a ataques.
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Falta de visibilidade da frota
Sem o conhecimento em tempo real do deslocamento e da localização dos veículos, a gestão da empresa fica sem informações sobre o transporte das mercadorias. Assim, não consegue identificar sinais de que a carga está em perigo, como o fato de um caminhão ficar muito tempo parado no mesmo lugar.
Roteirização das entregas
Planejar a rota de transporte das cargas nem sempre é uma tarefa simples, pois não deve considerar apenas as vias mais rápidas de deslocamento, mas também os locais mais seguros por onde passar, assim como o tempo de entrega necessário e o trânsito em rodovias e cidades.
Então, aqui entra a dificuldade de identificar os pontos com menor incidência de roubos e que garantam o cumprimento dos prazos acordados.
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Tempo de descarga
A depender do tamanho ou da quantidade de mercadorias a serem entregues em cada ponto, pode haver maior demora no tempo de descarga. Isso é outra vulnerabilidade que dá a chance para oportunistas realizarem algum tipo de roubo.
Quadrilhas especializadas
Existem grupos profissionais que pesquisam informações sobre as empresas de transporte, as cargas, as rotas, os destinos, entre outros detalhes, e articulam formas de interceptar e levar as mercadorias.
Profissionais infiltrados
Muitos casos de roubo de cargas no Brasil têm conexão com grupos que infiltram colaboradores dentro das empresas de logística e transporte para obter informações privilegiadas, facilitando a ação das quadrilhas.
Aliciamento de funcionários
Além da questão dos infiltrados, as quadrilhas também costumam entrar em contato com profissionais das empresas, realizando promessas de dinheiro fácil, com o objetivo de aliciá-los para facilitar nos crimes.
Inclusive, essa prática de furto qualificado mediante fraude, popularmente conhecida como “chave na mão”, representa grande parte da estatística. Inclusive, o Panorama do Roubo de Cargas da GIF International revelou que quase metade das ocorrências possui indícios de envolvimento interno.
Para ajudar as empresas a identificar sinais de cooptação de funcionários, a GIF International também desenvolveu um guia rápido sobre o tema. Baixe aqui!
Conheça estratégias de segurança para evitar o roubo de cargas
O caminho para combater o roubo de cargas no Brasil passa pela união das estratégias de gerenciamento de riscos e investigação de quadrilhas e fraudes, ajudando a prevenir perdas.
Abaixo, confira medidas que a sua empresa pode tomar para se proteger e aumentar a segurança da sua operação.
Antes da viagem – prevenção inteligente
1. Due Diligence
Um processo rigoroso de verificação de fornecedores ajuda a garantir contratações mais seguras e negócios honestos. Com análise legal, tributária e financeira da empresa, assim como do histórico dos sócios, é possível identificar riscos de se relacionar com determinada companhia.
Dessa forma, a sua organização terá todos os subsídios para tomar decisões informadas sobre cada fornecedor.

2. Know Your Employee
Já ouviu falar sobre os procedimentos de KYE (Know Your Employee)? Trata-se de processos de análise para assegurar a integridade e a confiabilidade dos envolvidos com o transporte e movimentação de cargas no seu negócio.
Com tal procedimento, sua empresa é capaz de fazer uma triagem rigorosa de motoristas e demais colaboradores, analisando histórico, antecedentes e comportamentos de risco.
3. Gerenciamento de riscos
Esta etapa é fundamental para identificar todos os riscos e pontos vulneráveis no processo de coleta de cargas, transporte e descarga ou entrega de mercadorias, como:
- Vulnerabilidades em armazéns;
- Se o veículo vai estacionar de noite;
- Zonas de perigo no deslocamento;
- Estradas com condições ruins;
- Locais com alta incidência de acidentes;
- Histórico de incidentes de roubos;
- Verificação das condições dos veículos e de itens que podem ser levados, como estepes por exemplo;
- Condições climáticas que podem prejudicar o transporte em determinado local;
- Mercadorias sujeitas a danos no transporte;
- Documentos necessários a serem levados pelo motorista, a depender do tipo de carga, como por exemplo, nota fiscal de mercadorias compradas online e documentação específica no transporte de produtos químicos. Toda essa regulamentação é exigida pela Agência Nacional de Transporte Terrestre;
- Entre outros.
Neste sentido, a elaboração do Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR) permite mapear e monitorar os riscos. A partir dessas informações, é possível adequar as operações, com análises direcionadas para rotas, armazenamento, transporte e veículo, para que tudo ocorra da melhor forma. Além disso, as empresas também podem tomar ações para prevenir e reduzir a ocorrência de roubos de carga.
Leia também: Gerenciamento de riscos no transporte de cargas: veja normas
4. Planejamento de medidas de segurança
Como vimos acima, o PGR serve como base para o planejamento e a implementação de medidas de segurança nas empresas, a fim de combater o crime de roubo de cargas.
É possível prever ações para roteirizar entregas, adotar tecnologias, treinar funcionários, garantir o controle e a conformidade de fornecedores, colaboradores e demais envolvidos no processo de transporte, protegendo a operação completamente.
Todas estas estratégias, análises e mapeamentos devem estar documentadas como procedimentos internos de segurança da sua empresa.
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5. Treinamento de funcionários
Não adianta só desenvolver as estratégias de prevenção e de segurança, assim como os planos de resposta em caso de incidentes. É importante também treinar os colaboradores sobre situações de risco, direção defensiva e engenharia social.
Assim, os condutores estarão preparados sobre como devem agir se sofrerem alguma abordagem criminosa, quem deve ser informado se houver roubo de cargas e como identificar táticas de enganação.
Durante o transporte/deslocamento: detecção e monitoramento
6. Tecnologias de geolocalização
Para saber a localização dos seus veículos em tempo real, as ferramentas de tecnologia, como telemetria, geolocalização e monitoramento, são essenciais.
Com isso, as empresas, sejam transportadoras terceirizadas ou as operações internas, podem prestar apoio aos motoristas em caso de algum problema, como acidentes, roubos de cargas ou outras eventualidades. Se for necessário, as organizações podem, inclusive, acionar as autoridades para apurar as ações criminosas.
É importante também considerar a implementação de novas tecnologias que sejam imunes aos “jammers”, aparelhos usados pelos criminosos que emitem frequências para impedir o funcionamento de dispositivos, como GPS, celulares e redes, deixando normalmente os motoristas sem sinal para pedir ajudar.
7. Centro de operações integrado
Uma central de inteligência permite monitorar múltiplas informações em um único local, ajudando a trazer mais visibilidade sobre as operações de rua, com rotas e entregas.
8. Protocolos de check-in periódico
O check-in periódico é uma rotina estruturada de confirmação de status da carga, do veículo e do motorista ao longo da rota, desde a saída do centro de distribuição até a conclusão da entrega.
Trata-se de um processo com regra, frequência e gatilhos de alerta. Pode ser realizado por aplicativo corporativo, sistema de telemetria, botão de confirmação no painel do veículo ou ligação autenticada.
Após incidente: resposta estruturada
9. Pronta resposta
É importante ter uma equipe treinada para agir rapidamente em ocorrências, reduzindo o tempo de exposição da carga e aumentando a chance de recuperação. Aqui podemos considerar situações que exigem pronta resposta, como desvio de rota, falha de check-in, alerta de risco ou roubos consumados.
10. Investigação de fraudes
Mesmo com todas as medidas funcionando corretamente, ainda existe o risco de roubo de cargas no Brasil. Portanto, quando acontecer a ocorrência, é fundamental estar pronto para realizar a investigação corporativa referente a esse tipo de fraude, identificando os responsáveis e buscando a recuperação dos ativos levados.
Internamente, esse processo pode ser muito demorado e burocrático, gerando altas cargas de trabalho para a equipe de fraudes, segurança ou compliance. Por isso, para manter o foco no seu negócio, uma ótima opção é contar com uma consultoria especializada em soluções de combate a fraudes, como a GIF International.
Dessa forma, é possível minimizar perdas financeiras, investigar quadrilhas internas e mitigar riscos e fraudes futuras.
Leitura recomendada: Investigação corporativa: veja como o serviço de combate a fraudes protege seu negócio
11. Indicadores de desempenho
Os indicadores ajudam a conectar a ocorrência de fraudes com o impacto real no negócio. É possível monitorar KPIs estratégicos com relação ao roubo de cargas no Brasil, como:
- Tempo de resposta a incidentes;
- Número de incidentes evitados (ou interrompidos);
- Taxa de reincidência por rota, transportadora ou parceiro;
- Impacto financeiro evitado.
12. Uso de inteligência
Muitas organizações se prendem apenas na utilização de tecnologias de segurança e soluções antifraude. Porém, é fundamental também coletar, analisar e cruzar informações nas ações de prevenção, detecção e investigação de fraudes, como o roubo de cargas no Brasil.
Por meio do conhecimento gerado pelas análises, as empresas ganham inteligência para aprimorar suas operações de transporte no dia a dia e evoluir as estratégias de combate a fraudes.
13. Comunicação coordenada com autoridades
Ter uma colaboração estreita com as autoridades públicas locais e nacionais também contribui para combater o roubo de cargas com eficiência. Essas parcerias e conexões permitem o compartilhamento de informações e o desenvolvimento de ações conjuntas de prevenção, melhorando a segurança de rotas e facilitando a recuperação de mercadorias.

Como a GIF International ajuda a combater o roubo de cargas no Brasil
Para auxiliar sua empresa a reduzir os roubos de cargas sofridos, conte com a experiência e expertise da GIF International.
Nossa solução de inteligência antifraude patrimonial atua com o objetivo de:
- Identificar a autoria e a materialidade do crime para responsabilizar os indivíduos envolvidos;
- Buscar a recuperação de ativos;
- Analisar os processos e riscos das organizações, a fim de sugerir melhorias nos procedimentos internos e mitigar vulnerabilidades.
Nosso serviço é completo, incluindo gerenciamento de riscos, treinamentos, diligências de campo, engajamento com forças policiais, background check investigativo e due diligence, análises de vínculos, entrevistas exploratórias, relatórios de inteligência, análise de processos, assessoria jurídico criminal, entre outros. Mas pode ser personalizado de acordo com as necessidades do seu negócio.
Na GIF International, nossas soluções formam um ecossistema integrado, com serviços de desvio de conduta e cibersegurança, podendo ser incorporados à sua investigação, o que ajuda a verificar o envolvimento de funcionário e como se deu a articulação do roubo de cargas.
O Mercado Envios (logística do Mercado Livre), uma das principais empresas de transporte e logística do Brasil, confia nas soluções da GIF de combate a fraudes e roubo de cargas. Fale com nossos especialistas agora mesmo e veja como podemos reduzir riscos na sua empresa!












