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aliciamento de funcionários

Veja como evitar o aliciamento de funcionários e minimizar riscos

Conheça os tipos de aliciamento de funcionários e como minimizar esse risco.
  • 1 de outubro
  • 2024
  • 11 min

Geralmente, em processos de investigação de fraudes corporativas, é possível identificar o envolvimento de colaboradores internos. Em grande parte desses casos, acontece o aliciamento de funcionários por fraudadores para a participação em esquemas e, assim, eles se tornam agentes facilitadores para que ocorram os incidentes.

Atualmente, as empresas precisam ficar atentas ao comportamento de seus profissionais, porque o aliciamento de funcionários é uma das principais ameaças, elevando o risco de fraudes.

Afinal, a partir do momento em que os próprios colaboradores ajudam fraudadores com informações sobre infraestrutura, instalações ou procedimentos, como por exemplo sobre o transporte de cargas, o risco de ter uma ocorrência com as mercadorias e não conseguir recuperar é realmente grande.

Segundo pesquisa da PwC, 57% das fraudes contra empresas no mundo tiveram o envolvimento ou autoria de agentes internos.

Como os colaboradores se envolvem com fraudes

As três formas mais frequentes de fraude praticadas por profissionais internos são:

  • Premeditado: quando o colaborador já ingressa na empresa, fazendo parte de uma quadrilha ou grupo e entrando com o objetivo claro de obter informações privilegiadas para cometer fraudes dos mais diversos tipos, sejam desvios de mercadorias, facilitação da entrada de pessoas etc.;
  • Espionagem: também existem profissionais que buscam entrar em organizações para ter acesso e roubar informações confidenciais para vender a concorrentes, por exemplo;
  • Aliciamento de funcionários: neste caso, os colaboradores não tinham o intuito de praticar as atividades ilícitas, mas foram abordados por agentes externos e acabaram aceitando participar de esquemas.

Desvio de conduta

É importante destacar que este tipo de comportamento por parte dos profissionais infringindo as normas da empresa, faz parte de um desvio de conduta, que, ao ser identificado, pode render punições, incluindo até mesmo demissões. 

Triângulo da fraude como porta de entrada para o aliciamento

Ao olhar para as situações citadas anteriormente, a maior ameaça nos últimos tempos é a tendência cada vez maior de pessoas, que agiam dentro da legalidade se unirem a fraudadores.

Para acontecer essa migração de atitude, os 3 principais fatores que levam os profissionais a terem essa mudança de comportamento são:

  • Pressão/necessidade: o profissional sofre com algum problema, como pendências financeiras, por exemplo, o que faz a pessoa acreditar que se aliar a grupos é uma opção viável;
  • Racionalização: se trata do autoconvencimento de que aquela história faz sentido, ou o pensamento de que todo mundo comete aquele mesmo desvio, então, ele também pode fazer;
  • Oportunidade: a partir daí, basta ser abordado por aliciadores ou encontrar uma brecha ou vulnerabilidade, seja em processos, locais de acesso, entre outros.

Com a pressão e racionalização, fica mais fácil de acontecer a cooptação de funcionários e, consequentemente, o cometimento de fraudes. 

Leia mais: Triângulo da fraude: como proteger sua empresa 

Comportamentos suspeitos dos colaboradores

Os profissionais que estão praticando fraudes contra as empresas, geralmente, apresentam comportamentos que podem servir como sinais de aviso.

Segundo estudo da ACFE, 75% de todos os funcionários envolvidos em fraudes exibiu pelo menos uma das 8 atitudes mais comuns de alerta.

  1. Viver além de seus recursos financeiros: 39%
  2. Dificuldades financeiras: 27%
  3. Relação muito próxima com fornecedor ou cliente: 20%
  4. Problemas de controle e/ou relutância para compartilhar deveres: 13%
  5. Irritabilidade, desconfiança ou estar na defensiva: 12%
  6. Atitude de negociante: 12%
  7. Bullying ou intimidação: 11%
  8. Problemas familiares ou divórcio: 10%

Mas o que é o aliciamento de funcionários?

De maneira resumida, o aliciamento refere-se ao ato de atrair ou seduzir alguém para uma ação, muitas vezes com conotação negativa, como o recrutamento para atividades ilegais.

A depender do contexto, a cooptação pode envolver pagamento de propina, chantagem, ameaça, engenharia social, abuso de acesso ou outras formas de influência. 

Nas empresas, o risco de aliciamento pode acontecer em diversos contextos, seja a partir de redes sociais, na rua ou até mesmo no próprio ambiente de trabalho.

Neste âmbito, um caso que chamou a atenção recentemente foi a descoberta de uma quadrilha infiltrada no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em 2023, que trocava malas com o objetivo de traficar cocaína para o exterior. Inclusive, duas brasileiras foram presas injustamente na Alemanha.

Para conseguir isso, o grupo aliciou funcionários que atuavam no manuseio de bagagens.

Caso emblemático de aliciamento

Um dos exemplos mais relevantes para compreender o risco de cooptação de funcionários é o ataque cibernético que atingiu a C&M Software, empresa que presta serviços de integração tecnológica para instituições financeiras. 

O caso ganhou grande repercussão, porque, segundo as informações divulgadas durante a investigação, a ação não dependia exclusivamente da exploração de uma vulnerabilidade tecnológica. O acesso de pessoas de dentro da organização teria sido utilizado como parte da estratégia dos criminosos. 

O episódio chamou atenção, pois evidencia como uma organização pode possuir controles tecnológicos robustos e, ainda assim, permanecer exposta quando um agente externo consegue cooptar alguém que já possui acesso autorizado. 

Existe diferença entre aliciamento e cooptação?

Conceito Significado
Aliciamento Abordagem ou tentativa de atrair um funcionário para determinada ação
Cooptação Processo pelo qual o funcionário passa a colaborar ou participar de determinado esquema ou interesse
Fraude interna Irregularidade cometida ou facilitada por alguém dentro da organização
Conluio interno-externo Atuação conjunta entre pessoas de dentro e de fora da empresa
Insider threat Ameaça originada de alguém que possui acesso legítimo à organização

Aliciamento de funcionários e insider threat: qual a relação? 

O aliciamento se relaciona diretamente ao conceito de insider threat, ou ameaça interna. Até porque o risco não começa necessariamente dentro da empresa, mas pode ser criado externamente e utilizar uma pessoa que já possui acesso legítimo à organização como vetor para atingir seus objetivos. 

Imagine, por exemplo, um profissional que possui autorização para acessar determinado sistema. Até aquele momento, seu acesso é legítimo e faz parte de suas atividades.  

Depois de ser abordado por um terceiro, porém, ele pode passar a compartilhar credenciais, informações, documentos ou realizar operações que não faria normalmente. O acesso continua sendo legítimo do ponto de vista técnico. O que muda é a finalidade do uso daquele acesso. 

Essa característica torna o insider threat particularmente desafiador. Um atacante externo pode ser bloqueado por controles de segurança, enquanto um colaborador possui entendimento dos processos, conhece os sistemas utilizados pela empresa e já está autorizado a acessar determinados ambientes. 

Veja também: Gestão de identidade e acesso: descubra por que implementar 

Principais tipos de aliciamento de funcionários

Existem diversas formas de aliciar os colaboradores para cometerem fraudes contra as empresas em que trabalham. As mais comuns são as seguintes:

  • Suborno ou corrupção: oferecer dinheiro, presentes ou outros benefícios em troca do envolvimento;
  • Coerção ou ameaça: usar ameaças ou intimidação para forçar funcionários a participarem;
  • Abuso de privilégio: aproveitar o acesso privilegiado a informações confidenciais para benefício pessoal ou de terceiros;
  • Recrutamento de cúmplices: recrutar colegas ou outros colaboradores para participarem de esquemas ilegais;
  • Chantagem: usar informações comprometedoras sobre um funcionário para obrigá-lo a cooperar.

Leitura recomendada: Como investigar e prevenir fraudes empresariais contribui com a sociedade

Modalidades de aliciamento

Conforme comentamos anteriormente, os fraudadores usam abordagens variadas para aliciamento de funcionários, seja nas redes sociais, ruas ou no próprio ambiente.

Para alcançar esses colaboradores, o grupo pode usar técnicas de engenharia social para explorar o erro humano para obter informações privadas, acessos ou objetos de valor, a fim de realizar a coerção ou chantagem do profissional. 

Outra prática comum é o vishing, em que os agentes externos utilizam técnicas de engenharia social em ligações telefônicas para oferecer vantagens ilícitas para ‘conquistar’ os funcionários.

No entanto, nem sempre as pessoas caem nessas sugestões de ganhos indevidos. Em 2020, por exemplo, um funcionário da Tesla recusou US$ 1 milhão de suborno para instalar um arquivo malicioso na rede da empresa na fábrica de Nevada.

Como mitigar o risco de aliciamento de funcionários?

Fica claro que a ameaça do aliciamento de funcionários existe e é grande. Porém, há maneiras de reduzir esse risco, implementando uma série de medidas para proteger a empresa e orientar os colaboradores sobre como lidar com essas situações. Veja as principais ações:

Ações preventivas:

Realize auditorias e diligências, de forma programada e não planejada, para avaliar o comportamento dos colaboradores e controlar os riscos de possíveis aliciamentos.

Cultura organizacional forte:

Para evitar que as pessoas da sua empresa estejam suscetíveis a aceitar subornos e verem oportunidades de se envolverem em fraudes, estabeleça valores sólidos com uma cultura de integridade. 

Programa de compliance:

Desenvolva um programa interno robusto com todas as regras, políticas e procedimentos que as pessoas devem cumprir para garantir uma conduta ética, profissional e responsável.

Veja também: Custo de conformidade é quase 3x menor do que não estar em compliance

Criação de processos de KYE (Know Your Employee):

Conhecer seus funcionários de modo aprofundado, verificando suas informações cadastrais, documentações e identidade, é fundamental para saber o risco de aliciamento, mapeando as pessoas mais suscetíveis.

Avaliação de riscos por função:

Nem todos os funcionários apresentam o mesmo nível de exposição. Por isso, é importante ter uma verificação mais rigorosa de profissionais que tenham posição de confiança ou que atuem com processos confidenciais. 

Políticas e procedimentos claros:

Defina responsabilidades para os funcionários e crie regras de controle de acesso e segurança para reduzir as chances de que informações sejam violadas e roubadas, sendo fontes de chantagem por exemplo.

Código de ética:

Crie um código de ética com os valores que os colaboradores devem respeitar e as medidas que devem ser seguidas no dia a dia de trabalho. 

Canal de denúncias:

Ofereça um canal de denúncias para receber informações sobre possíveis atividades ilícitas praticadas na empresa.

Monitoramento de atividades e redes:

Fique atualizado sobre atividades de seus colaboradores. Como vimos anteriormente, um dos principais comportamentos suspeitos é viver além de seus recursos financeiros. Então, se identificar esse tipo de situação, abra o olho com relação ao funcionário.

Realização de treinamentos:

Promova treinamentos com a equipe para esclarecer as informações do programa de compliance, código de ética, canal de denúncias, entre outros itens, e tirar as dúvidas dos profissionais. Além disso, aproveite os canais de comunicação interna para divulgar essas questões.

Orientação no caso de abordagens de agentes externos:

Forneça explicações sobre como um funcionário deve agir em um momento de abordagem externa para ajudar em fraudes. Ou seja, se a pessoa deve fugir do fraudador, se deve ouvir a proposta e chamar a direção da empresa, ou outras ações que a companhia julgar necessárias.

Investigação de denúncias de desvio de conduta:

Faça uma averiguação completa das denúncias recebidas, com entrevistas, coleta de evidências e elaboração de relatórios sobre a ocorrência. Em caso de confirmação do desvio de conduta do funcionário, aplique as sanções previstas no código de conduta.

Leia também: Investigação corporativa: veja como o serviço de combate a fraudes protege seu negócio

O que fazer quando há suspeita de aliciamento de um funcionário? 

Veja um passo a passo básico: 

  • Preservar evidências;  
  • Restringir riscos imediatos, quando necessário; 
  • Evitar confrontações precipitadas; 
  • Avaliar acessos e possíveis impactos; 
  • Acionar as áreas responsáveis;  
  • Realizar investigação estruturada; 
  • Documentar evidências e conclusões; 
  • Corrigir vulnerabilidades; 
  • Adotar as medidas cabíveis. 

Quando o aliciamento exige uma investigação corporativa? 

Quando existem indícios de que um funcionário foi abordado, cooptado ou passou a colaborar com terceiros, a empresa precisa sair da lógica de prevenção e entrar na lógica de apuração, a fim de descobrir: 

  • Quem abordou o funcionário?  
  • Momento em que começou?  
  • uais informações foram acessadas?  
  • Houve pagamento ou vantagem?  
  • Outros colaboradores participaram?  
  • Houve vazamento?  
  • Houve perda financeira?  
  • Quais controles foram burlados?  
  • O esquema continua ativo? 

Conte com uma consultoria especializada em investigação de fraudes

Para garantir que a sua empresa evite prejuízos financeiros e danos à imagem com aliciamentos, desvios de conduta e fraudes corporativas, conte com uma consultoria especializada em prevenção, detecção e investigação. A GIF International possui serviços personalizadas para atender às necessidades de cada organização.

Realizamos a investigação completa de fraudes, coletando evidências e identificando responsáveis, analisando inclusive o possível aliciamento de funcionários.

Também atuamos com serviços de desvio de conduta para fazer uma averiguação específica de denúncias ou suspeitas de atos ilícitos dos colaboradores. Além disso, oferecemos a solução de background check para avaliar profissionais antes de serem contratados para fazer parte do quadro de funcionários da sua organização.

Conte com a GIF International para mitigar riscos, reduzir as ameaças e diminuir o custo das fraudes. Fale com nosso time de especialistas agora mesmo!

FAQ – aliciamento de funcionários 

O que é aliciamento de colaboradores? 

Aliciamento de funcionários é a abordagem ou tentativa de atrair um colaborador para colaborar com interesses externos, práticas irregulares ou atividades ilícitas, podendo envolver suborno, ameaça, chantagem, engenharia social ou outras formas de influência. 

O que é cooptação de funcionários? 

Cooptação de funcionários é o processo pelo qual um colaborador passa a colaborar com terceiros ou participar de determinado esquema ou interesse, voluntariamente ou mediante pressão, vantagem, ameaça ou manipulação. 

Qual a diferença entre aliciamento e cooptação de funcionários? 

O aliciamento está mais relacionado à abordagem ou tentativa de atrair o colaborador, enquanto a cooptação enfatiza sua adesão ou participação em determinado esquema. 

Cooptação de funcionários é crime? 

A cooptação não constitui, por si só, um crime autônomo em qualquer situação. O enquadramento jurídico depende da conduta concreta, dos meios utilizados, da finalidade e das circunstâncias do caso. Algumas práticas associadas podem configurar crimes específicos, como corrupção, ameaça, extorsão, furto ou violação de informações. 

Quais são os principais sinais de aliciamento de funcionários? 

Alguns sinais podem incluir mudanças comportamentais, resistência a controles, relacionamentos incomuns com terceiros, acessos incompatíveis com a função e outros comportamentos fora do padrão. Nenhum sinal isolado comprova aliciamento ou fraude. 

Como o aliciamento de funcionários pode facilitar uma fraude? 

Um colaborador cooptado pode utilizar seus acessos, conhecimentos sobre processos, informações internas ou relacionamento com outras pessoas para facilitar uma fraude que dificilmente seria executada apenas por agentes externos. 

O funcionário aliciado é considerado fraudador? 

Não necessariamente. É preciso investigar o contexto, a intenção, o grau de participação, eventual coerção ou vantagem recebida e as demais circunstâncias antes de concluir qual foi seu papel no caso. 

Aliciamento de funcionários pode causar vazamento de dados? 

Sim. Um colaborador com acesso legítimo pode ser induzido ou pressionado a fornecer informações, credenciais ou acesso a sistemas, transformando uma vulnerabilidade humana em uma porta de entrada para incidentes. 

*Artigo atualizado em 5 de outubro de 2026

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