Os riscos cibernéticos crescem a cada dia em escala, sofisticação e complexidade, ainda mais com a inteligência artificial como fator de impulsionamento dessas ameaças. Mas, além de explorar processos falhos e brechas em sistemas e tecnologias, as pessoas acabaram se tornando outro foco. Neste contexto, os ataques de engenharia social se consolidaram como um dos maiores problemas.
Em vez de explorar vulnerabilidades técnicas, os fraudadores exploram comportamentos humanos, emoções, confiança e rotinas corporativas.
O phishing, principal vetor dessa estratégia, segue como porta de entrada para fraudes financeiras, vazamentos de dados, ransomware e espionagem corporativa.
Para se ter uma ideia do tamanho do problema, 8 em cada 10 organizações não estão preparadas para lidar com ataques, conforme levantamento da Vultus.
Além disso, o custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,19 milhões em 2025, aumento de 6,5% sobre 2024 (R$ 6,75 milhões), de acordo com dados da IBM.
Ao mesmo tempo, com esta preocupação evidente, o mercado brasileiro de segurança da informação movimentará cerca de R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, segundo pesquisa da Brasscom.
Neste artigo, vamos aprofundar o conceito de engenharia social, apresentar exemplos reais e analisar os riscos para as organizações.
O que são ataques de engenharia social?
Os ataques de engenharia social são estratégias utilizadas por criminosos para manipular pessoas a fim de obter informações sensíveis, acessos privilegiados ou autorizações indevidas.
Diferentemente de ataques puramente técnicos, a engenharia social se baseia em psicologia, persuasão e contexto. O infrator não tenta invadir um sistema e sim convencer alguém a abrir a porta. Isso pode ocorrer por meio de:
- E-mail aparentemente legítimo;
- Ligação se passando por alguém da empresa;
- Mensagem urgente via WhatsApp ou SMS;
- Perfil falso em redes sociais corporativas.
O sucesso desses ataques está diretamente ligado à confiança e à falta de verificação.
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Por que os ataques de engenharia social funcionam tão bem?
Mesmo pessoas e profissionais experientes podem ser enganados, já que a engenharia social explora gatilhos do comportamento humano, como:
- Urgência: “Sua conta será bloqueada em 30 minutos”.
- Autoridade: “Solicitação da diretoria”.
- Medo: “Detectamos uma tentativa de invasão”.
- Curiosidade: “Veja este documento confidencial”.
- Conveniência: “Clique aqui para resolver rapidamente”.
Além disso, os ataques estão cada vez mais sofisticados, personalizados e contextualizados. Com o uso de dados vazados, redes sociais e até inteligência artificial, os criminosos criam comunicações quase indistinguíveis das legítimas. Muitas vezes, inclusive, são usados vídeos ou áudios fakes, chamados de deepfake, para facilitar o convencimento dos usuários.
O resultado é um cenário em que controles técnicos sozinhos não são suficientes.
Phishing: o ataque de engenharia social mais comum
O phishing é a forma mais conhecida de engenharia social. Trata-se do envio de mensagens falsas, geralmente por e-mail, mas também por SMS, aplicativos de mensagens ou redes sociais.
Seu objetivo é induzir a vítima a clicar em links maliciosos, baixar arquivos infectados, informar credenciais de acesso ou autorizar transações financeiras.
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Principais tipos de phishing
Phishing tradicional: mensagens em massa que simulam comunicações genéricas de bancos, fornecedores ou sistemas conhecidos.
Spear phishing: ataques direcionados a pessoas ou áreas específicas, usando informações reais da vítima ou da empresa.
Smishing: phishing via SMS, geralmente associado a falsas entregas, cobranças ou alertas bancários.
Vishing: fraudes realizadas por telefone, explorando scripts convincentes e engenharia social em tempo real.
BEC (Business Email Compromise): um dos mais perigosos no ambiente corporativo. O criminoso se passa por executivos ou parceiros e solicita pagamentos, mudanças de dados bancários ou informações estratégicas.
Em 2024, por exemplo, houve um caso em que um funcionário financeiro da Arup em Hong Kong participou de uma videochamada onde o CFO e outros colegas eram, na verdade, deepfakes, resultando em uma transferência fraudulenta de quase US$ 25 milhões.
Exemplos de engenharia social no ambiente corporativo
Para entender a gravidade do problema, basta observar alguns cenários recorrentes:
- Colaborador recebe um e-mail do “RH” solicitando atualização de senha.
- Gestor financeiro recebe uma mensagem do “CEO” pedindo uma transferência urgente.
- Analista de TI recebe um chamado falso solicitando acesso remoto.
- Fornecedor recebe um e-mail informando alteração de dados bancários.
Em todos esses casos, o ataque não depende de malware avançado. Ele depende apenas de convencimento.
Principais riscos dos ataques de engenharia social
Vazamento de dados
As credenciais quando comprometidas permitem acesso a sistemas críticos, dados pessoais, informações estratégicas e segredos comerciais.
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Fraudes financeiras
Os pagamentos indevidos, desvio de recursos e golpes estruturados podem gerar perdas milionárias.
Riscos regulatórios
Incidentes envolvendo dados pessoais e financeiros podem resultar em sanções, multas e processos. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), por exemplo, pode aplicar multas de até US$ 50 milhões.
Danos reputacionais
A confiança de clientes, parceiros e investidores pode ser severamente afetada, impactando a reputação da marca. Sem contar que, a depender da repercussão dos ataques de engenharia social, os danos podem ser ainda maiores.
Interrupção operacional
Ataques iniciados por phishing frequentemente evoluem para ransomware e paralisação de operações.
Engenharia social: como se proteger com estratégias eficazes
Proteger uma organização contra ataques de engenharia social exige mais do que ferramentas tecnológicas. Essas ameaças exploram comportamentos, rotinas e decisões humanas. Por isso, a defesa precisa ser multicamadas, combinando pessoas, processos, tecnologia e investigação.
As empresas que tratam a engenharia social apenas como um problema técnico tendem a reagir tarde demais. As organizações mais maduras atuam de forma preventiva, estruturada e baseada em inteligência. Veja medidas importantes:
1. Conscientização contínua
A primeira e mais importante barreira contra engenharia social são as pessoas. No entanto, treinamentos pontuais, genéricos ou meramente formais raramente produzem efeito real. A conscientização eficaz deve ser:
- Contínua: não apenas um treinamento anual;
- Contextualizada: alinhada à realidade do negócio, setor e função;
- Baseada em cenários reais: mostrando como ataques acontecem na prática;
- Mensurável: com indicadores de evolução e maturidade.
Simulações de phishing e campanhas educativas permitem identificar padrões de comportamento de risco e áreas mais vulneráveis. Assim, essas iniciativas ajudam a educar e fortalecer a cultura de segurança.
Vale ressaltar a importância de reportar uma tentativa suspeita sempre que houver.
2. Processos claros e verificáveis
Grande parte dos ataques de engenharia social se aproveita de processos mal definidos ou excessivamente flexíveis. Quando não há regras claras, o criminoso encontra espaço para manipulação. Boas práticas incluem:
- Políticas formais de verificação para solicitações sensíveis, como pagamentos, mudanças cadastrais ou acessos privilegiados;
- Dupla checagem obrigatória para transações financeiras fora do padrão;
- Procedimentos claros de comunicação interna, evitando pedidos críticos por canais informais;
- Fluxos documentados de aprovação, com rastreabilidade.
Um ponto crítico é reduzir a dependência de decisões individuais em situações de urgência. Quanto mais padronizado e verificável for o processo, menor a chance de sucesso da engenharia social.
3. Princípio do menor privilégio e segregação de funções
A engenharia social se torna especialmente perigosa quando um único usuário concentra acessos excessivos ou funções críticas sem controles adicionais.
Neste sentido, é fundamental aplicar o princípio do menor privilégio de modo criterioso, revisar acessos e permissões periodicamente, segregar funções (especialmente em áreas críticas como financeiro e TI), e monitorar contas privilegiadas.
Neste caso, mesmo que um colaborador seja enganado, o impacto do ataque deve ser limitado. Esse é um dos pilares da resiliência organizacional.
4. Controles tecnológicos
Embora a engenharia social seja centrada no fator humano, a tecnologia desempenha um papel essencial como camada de contenção.
Entre os principais controles estão:
- Autenticação multifator (MFA) para acessos críticos;
- Soluções avançadas de proteção de e-mail contra phishing e spoofing;
- Monitoramento de comportamento anômalo em contas e sistemas;
- Alertas automáticos para ações fora do padrão.
Esses controles reduzem drasticamente a capacidade de exploração após o primeiro contato bem-sucedido.
5. Fortalecimento da cultura de segurança
Uma cultura organizacional madura em segurança é baseada na confiança e transparência. Dessa forma, as empresas devem incentivar colaboradores a reportar mensagens, ligações ou solicitações suspeitas de engenharia social, tratar falhas em processos como oportunidades de aprendizado, e verificar aprendizados após incidentes ou tentativas frustradas.
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6. Monitoramento e inteligência
É importante lembrar que os ataques de engenharia social raramente são eventos isolados. Eles fazem parte de campanhas estruturadas, muitas vezes repetidas contra diferentes áreas ou empresas do mesmo setor.
O uso de inteligência permite identificar padrões recorrentes de abordagem e correlacionar tentativas de contato, e-mails e comportamentos. Assim, é possível antecipar movimentos dos infratores e ajustar processos de forma preventiva.
Da mesma forma, a análise contínua de dados, aliada à experiência investigativa, transforma tentativas de fraude e riscos em insumos estratégicos para proteção futura.
7. Investigação e resposta a incidentes
Quando há suspeita ou confirmação de um ataque de engenharia social, a resposta precisa ser rápida, técnica e coordenada. Uma resposta eficaz envolve:
- Preservação imediata de evidências digitais, como e-mails, logs e registros de acesso;
- Análise técnica para entender a extensão do comprometimento;
- Avaliação de impactos financeiros, operacionais e regulatórios;
- Comunicação adequada com áreas jurídicas, compliance e liderança.
Nesse caso, a investigação forense permite não apenas conter o incidente, mas entender como e por que ele ocorreu, reduzindo significativamente a chance de reincidência.
8. Integração entre áreas
As empresas que tratam engenharia social como um “problema de TI” tendem a reagir de forma fragmentada. As organizações mais resilientes reconhecem que se trata de um risco corporativo, com impacto direto em governança, continuidade de negócios, reputação e conformidade regulatória.
Por isso, se proteger contra engenharia social exige visão sistêmica, investimento inteligente e integração entre áreas.
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