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Como elaborar um relatório de investigação de fraudes eficiente e transformar evidências em decisões 

Entenda por que o relatório falha e como desenvolver um documento estratégico.
  • 19 de fevereiro
  • 2026
  • 9 min

A fraude não se resolve só com tecnologia, alertas automáticos, análises manuais e bloqueios. No fim do dia, o que move decisões empresariais, ações disciplinares, medidas corretivas e até processos jurídicos é o relatório de investigação. 

Esse elemento é uma parte crucial dos processos de investigação. Inclusive, é bom lembrar que muitas empresas até investigam bem, mas documentam mal. Como resultado, ocorrem relatórios confusos, sem narrativa clara, sem análise detalhada, sem ligação com impacto real no negócio e que não geram decisão nenhuma. 

Para se ter uma ideia da importância do documento, 71% das empresas que sofreram um incidente encomendam uma investigação, segundo pesquisa da PwC. Isso mostra que o relatório de investigação tem papel direto para melhorar os processos de controle e prevenção de fraudes futuras. 

Neste guia, vamos falar sobre exemplos práticos de uso do relatório para tomada de decisão e como transformar o documento em uma ferramenta real de combate a fraudes, e não só em um PDF esquecido. Se você atua com fraudes, riscos, compliance, auditoria ou segurança da informação, este artigo pode te ajudar. 

O que é o relatório de investigação? 

O relatório de investigação é um documento que conecta evidências a decisões. Não é um simples “relatório de ocorrência”, mas sim uma documentação estratégica. 

Na prática, o relatório cumpre quatro funções críticas: 

  • Consolida evidências (físicas, digitais, documentais e humanas); 
  • Reconstrói o que aconteceu (modus operandi, falhas exploradas e envolvidos); 
  • Traduz os riscos em impacto de negócio (perdas, exposição e risco residual); 
  • Gera recomendações acionáveis (como responsabilizar os infratores, o que mudar, como mitigar riscos, quem deve agir etc.). 

Em segmentos com ambientes regulados, como por exemplo o financeiro, um bom relatório é também prova de diligência, base para decisões disciplinares, insumo para compliance e jurídico, e evidência de governança para auditorias e reguladores. 

Leia também: Risco estratégico das fraudes: como envolver o board 

Por que tantos relatórios de investigação falham? 

Na teoria, o relatório de investigação deveria ser a ponte entre o que foi apurado e o que será decidido. Na prática, em muitas empresas, ele vira apenas um registro técnico do passado, sem impacto no futuro do negócio. 

O problema não está na investigação em si, que muitas vezes é bem conduzida, mas na forma como o resultado é comunicado, estruturado e transformado (ou não) em decisão executiva. 

Abaixo estão os principais pontos de falha que vemos com frequência no mercado: 

Relatórios longos, mas sem resumo executivo 

Um erro clássico é produzir relatórios extensos, cheios de detalhes técnicos, mas sem uma visão clara para quem decide. Para o C-level, tempo é escasso. Quando não existe um resumo executivo direto ao ponto, o relatório não é lido por inteiro, é interpretado de forma superficial, ou gera decisões baseadas em percepção, e não em evidências. 

Como consequência, a alta liderança não entende a gravidade real do caso, subestima o risco ou posterga ações estruturais que deveriam ser imediatas. 

Linguagem técnica demais para o C-level 

Outro ponto crítico é quando o relatório é escrito apenas “para quem investiga”, e não para quem decide. 

Logs, termos técnicos, siglas, detalhes de sistemas e fluxos operacionais fazem sentido para áreas de fraude, TI e segurança. No entanto, para o C-level, o que importa é risco, impacto no negócio, exposição regulatória, risco reputacional e implicações estratégicas. 

Prints e logs sem contexto 

Muitos relatórios são praticamente um compilado de evidências soltas: prints de tela, trechos de log, extratos, planilhas, entre outros. Neste sentido, o problema é não explicar o que cada evidência prova dentro da narrativa da investigação. Ou seja, quem lê não entende o que o print comprova, porque é relevante, e qual a relação com a hipótese investigada. 

Conclusões sem conexão com evidências 

Esse é um dos erros mais graves, quando o relatório “afirma” algo, mas não deixa claro como chegou àquela conclusão. Cada conclusão precisa estar claramente ligada a evidências, análises, correlações e limites do que foi possível comprovar. 

Caso contrário, sem evidências, a decisão vira frágil juridicamente, em auditorias e até internamente em processos disciplinares. 

Leia também: Análise de vínculos: 6 benefícios no combate a fraudes 

Recomendações genéricas 

“Reforçar controles”, “treinar equipe”, “melhorar processos” são recomendações que aparecem facilmente em um relatório, mas essas práticas se tornam vagas e difíceis de executar. Por isso, o documento precisa ir além, tendo sugestões específicas, acionáveis, atribuíveis a responsáveis e priorizadas no tempo. 

Sem ligação com impacto financeiro, regulatório ou reputacional 

Relatórios que ficam apenas no nível técnico perdem força política dentro da empresa. Quando não conecta a fraude com perdas financeiras, risco regulatório, exposição jurídica, impacto na marca e na confiança do cliente, o relatório não traz informações relevantes e deixa de ser prioritário.  

Assim, o tema ‘fraudes’ perde espaço para outros projetos “mais estratégicos” até a próxima crise acontecer. 

Veja também: Planejamento estratégico de negócios e antifraude: guia completo 

Quais os componentes do relatório de investigação eficiente? 

Outro estudo da PwC destaca que indicadores como “número de relatórios de incidentes”, “tempo médio para decisão em casos reportados” e “taxa de confirmação de incidentes” são considerados métricas críticas para acompanhar a eficácia de processos de investigação e gestão de riscos.  

Isso reforça que relatórios bem elaborados não são apenas documentação, mas instrumentos de monitoramento, melhoria contínua e tomada de decisão.   

Nesse sentido, um bom relatório de investigação de fraudes precisa ser claro para dois públicos ao mesmo tempo: executivo (C-level, diretoria e conselho) e técnico (áreas de fraude, risco, compliance, jurídico e segurança). 

Confira uma estrutura recomendada: 

1) Resumo executivo 

Explique em 5–8 parágrafos: o que aconteceu, impacto, conclusão e recomendações prioritárias 

Regra prática: se o C-level só ler essa parte, ele entende o caso? 

2) Contexto e escopo da investigação 

Por que a investigação foi aberta? Qual o período analisado? Quais sistemas, processos e áreas foram incluídos? 

3) Metodologia 

Como as evidências foram coletadas? Quais fontes foram analisadas (logs, entrevistas, documentos, sistemas etc.)? Houve cadeia de custódia? 

4) Evidências coletadas 

Evidências digitais, físicas e documentais, depoimentos e entrevistas. 

5) Análise e reconstrução do caso (modus operandi) 

Como a fraude aconteceu? Quais falhas foram exploradas? Houve participação interna? Como o dinheiro/dados circularam? 

6) Impactos para o negócio 

  • Financeiro; 
  • Operacional; 
  • Regulatório; 
  • Reputacional; 
  • Risco de reincidência.

7) Conclusões 

O que ficou comprovado? O que não pôde ser comprovado? Quais hipóteses foram descartadas? 

8) Recomendações acionáveis 

Seguem exemplos positivos de como traçar recomendações: implementar dupla validação no fluxo X, rever acesso do perfil Y, integrar monitoramento Z, abrir processo disciplinar conforme política interna. 

9) Anexos 

  • Linha do tempo; 
  • Cadeia de custódia; 
  • Evidências técnicas; 
  • Logs completos; 
  • Prints contextualizados.

Como fazer um relatório de investigação: passo a passo prático 

A qualidade do relatório de investigação depende diretamente da clareza de objetivo, da organização das evidências e da capacidade de traduzir técnica em decisão de negócio. 

Abaixo está um guia prático para estruturar relatórios realmente efetivos: 

Defina o objetivo do relatório  

Antes de redigir qualquer parágrafo, responda com honestidade:  

  • Esse relatório vai apoiar qual decisão? Exemplos: medida disciplinar, revisão de processos, ação judicial, reporte a regulador, decisão de investimento, entre outros; 
  • Nível de detalhe: mais técnico ou mais executivo; 
  • Leitor decisor do documento: C-level, área jurídica, compliance, auditoria, riscos, fraudes, segurança corporativa ou cibersegurança; 
  • Linguagem: operacional vs estratégica; 
  • Nível de formalidade e robustez jurídica.

Saiba mais: Estratégia de segurança: evite silos e integre setores da empresa 

Organize as evidências antes de escrever 

Alinhe tudo em uma estrutura simples e lógica, contendo: 

  • Evidências digitais (logs, trilhas de auditoria, acessos, transações, e-mails, registros de sistemas); 
  • Entrevistas e depoimentos (resumos, transcrições, contradições, pontos de convergência); 
  • Documentos (contratos, políticas internas, registros de onboarding, KYC/KYE, aprovações); 
  • Cronologia dos fatos (linha do tempo clara do que aconteceu, quando e em qual contexto).

Não escreva o relatório enquanto ainda está “descobrindo o caso”. É um erro comum elaborar o documento “no fluxo da investigação”, o que pode gerar contradições, narrativa confusa, conclusões precipitadas e lacunas que aparecem depois. 

Construa a narrativa do caso 

O relatório não é uma sequência de eventos. É uma história investigativa com começo, meio e fim. 

Evite o estilo “diário de bordo”: “No dia X houve acesso. No dia Y houve transferência. No dia Z houve nova movimentação.” 

Prefira construir uma narrativa causal: “O fraudador explorou a falha no processo de redefinição de acesso, permitindo a tomada de controle da conta. A partir disso, iniciou transferências fracionadas para dificultar o rastreamento dos valores, utilizando contas de passagem para pulverização do dinheiro.” 

Portanto, uma boa narrativa precisa ter: 

  • Qual era o contexto do ambiente; 
  • Qual vulnerabilidade foi explorada; 
  • Como o ataque ou fraude evoluiu; 
  • Qual foi a intenção do agente; 
  • Quais controles falharam; 
  • Como o impacto se materializou.

Traduza técnica em impacto de negócio 

Aqui é onde muitos relatórios perdem força política dentro da empresa. Toda constatação técnica precisa responder: 

  • Qual risco gerado para o negócio? 
  • Qual indicador estratégico foi afetado? 
  • A empresa ficou exposta a qual tipo de sanção ou crise? 
  • Isso pode se repetir em escala?

Exemplo positivo: 

“A falha no controle de acesso permitiu account takeover, resultando em perda financeira estimada de R$ X, aumento de risco regulatório por falha de controles mínimos de segurança e potencial impacto reputacional em caso de judicialização do cliente.” 

Essa análise transforma o relatório em instrumento de decisão estratégica, não só técnica. 

Leia também: 11 perguntas frequentes sobre investigações para começar o processo na sua empresa 

Termine com recomendações claras e priorizadas 

Um relatório sem recomendação prática vira um diagnóstico sem tratamento. Evite sugestões genéricas como “reforçar controles”, conforme falamos anteriormente. 

Classifique as ações por prioridade e horizonte de impacto: 

  • Ação imediata (mitigar risco agora): bloqueio de acessos específicos, suspensão temporária de um fluxo vulnerável, revisão emergencial de permissões, comunicação preventiva ao jurídico/compliance etc.;
  • Ação de curto prazo (corrigir a falha): ajustes em regras antifraude, criação de etapa adicional de validação, revisão de políticas de onboarding, ajustes em monitoramento transacional, entre outros;
  • Ação estrutural (evitar reincidência): revisão de modelo de governança, integração de ferramentas antifraude, reestruturação de processos críticos, implantação de segregação de funções, revisão do framework de monitoramento de riscos etc.

É importante que toda recomendação envolva o que fazer, quem é o responsável, prazo sugerido e risco mitigado. 

Saiba mais: Gestão inteligente: a importância de tomada de decisões informadas no combate a fraudes 

Exemplos práticos de uso do relatório para tomada de decisão 

Caso 1 — Fraude interna em processo de reembolso 

Relatório mostrou padrão de reembolsos aprovados pelo mesmo gestor, fora da política. Decisão: revisão do processo + investigação interna + ajuste de alçadas. 

Caso 2 — Account takeover em fintech 

Relatório mostrou falha no reset de senha por canal humano. Decisão: revisão de política de autenticação + integração de solução antifraude. 

Caso 3 — Desvio em operaç+ão logística 

Documento reconstruiu cena e comprovou conluio entre fornecedor e colaborador. Decisão: encerramento de contrato do terceiro + ação jurídica + revisão de onboarding, além de medida disciplinar ao profissional. 

Leitura recomendada: Deixe o combate a fraudes com a GIF International e foque no core business 

Como a GIF International transforma investigações em decisões 

Na GIF International, a investigação não termina quando a fraude é identificada. Ela termina quando o relatório permite mudar processos, mitigar riscos e interromper ciclos de fraude. 

Nossa atuação integra: 

  • Investigação estruturada; 
  • Análise forense; 
  • Coleta de evidências; 
  • Reconstrução de modus operandi; 
  • Identificação de responsáveis; 
  • Análise de vulnerabilidades; 
  • Recomendações acionáveis para gestores, líderes e executivos; 
  • Apoio ao setor jurídico das empresas.

Entre em contato com nossos especialistas agora mesmo e veja como podemos ajudar sua empresa com investigações complexas e especializadas! 

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