Para mapear os riscos existentes nas empresas e a efetividade das estratégias de prevenção a fraudes, riscos, compliance e segurança corporativa, é fundamental contar com os indicadores de fraudes. Por meio dos KPIs (Indicadores-Chave de Performance) definidos pela gestão, é possível ter métricas tangíveis para analisar os resultados do setor antifraude do seu negócio.
Neste sentido, o monitoramento destes KPIs de fraudes é indispensável para identificar e avaliar pontos positivos e oportunidades de melhoria nos planos de segurança e combate a fraudes.
Para se ter uma ideia, as tentativas de fraudes contra brasileiros em bancos subiram 10,4% em 2024, em relação a 2023, e o prejuízo poderia chegar a R$ 51,6 bilhões, caso as tentativas se concretizassem. São dados de um levantamento da Serasa Experian.
Ao mesmo tempo, os incidentes cibernéticos atingiram seu maior nível em 2025, segundo relatório da Verizon. O elemento humano esteve presente em 60% das violações e a exploração de vulnerabilidades representou 20% dos casos (crescimento de 34% em relação ao ano anterior).
Então, ao observar essas ações e comportamentos fraudulentos, pode-se implementar novas estratégias para mitigar tais riscos.
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Indicadores, métricas e KPIs de fraude: qual é a diferença?
Embora sejam frequentemente utilizados como sinônimos, indicadores, métricas e KPIs possuem funções diferentes dentro de um programa de combate a fraudes.
Métricas
Representam dados individuais coletados durante a operação, descrevendo eventos específicos, sem necessariamente indicar se o desempenho está adequado. Alguns exemplos são:
- Número de tentativas de fraude registradas;
- Quantidade de alertas gerados;
- Valor financeiro das perdas;
- Número de investigações concluídas.
Isoladamente, essas informações fornecem uma visão operacional, mas ainda não permitem avaliar a eficácia do programa antifraude.
Indicadores
Organizam e contextualizam diferentes métricas para acompanhar a evolução dos riscos e apoiar a tomada de decisão.
Por exemplo, a simples informação de que ocorreram 500 tentativas de fraude em um mês tem pouco significado sem contexto. No entanto, ao ser comparada com o volume de transações realizadas ou ao histórico de períodos anteriores, a métrica se transforma em um indicador capaz de revelar tendências e orientar ações.
Os indicadores permitem identificar padrões, medir resultados e acompanhar o comportamento das fraudes ao longo do tempo.
KPIs (Key Performance Indicators)
São os indicadores considerados estratégicos para avaliar o desempenho da organização em relação aos seus objetivos. Esses indicadores permitem avaliar se a estratégia adotada está reduzindo riscos, protegendo ativos e aumentando a eficiência operacional.
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Qual a importância de acompanhar os indicadores de fraudes?
Os indicadores de fraudes permitem acompanhar a evolução das ameaças, avaliar a eficiência dos controles implementados, identificar vulnerabilidades, direcionar investimentos e apoiar decisões. Ou seja, representam uma fonte de inteligência. Veja os principais pontos positivos:
Identificação de padrões
A partir dos KPIs de fraudes, as empresas podem compilar os dados para analisar as atividades irregulares e identificar padrões de comportamentos de fraudes. Esse mapeamento permite adotar novos processos e medidas para tornar a detecção mais precisa e eficiente, o que gera uma redução no número de casos.
Previsibilidade
Junto com a identificação de padrões de fraudes, as organizações obtêm maior previsibilidade do que está por vir. Afinal, é possível visualizar a quantidade de ocorrências mensais, o quanto as fraudes estão aumentando mês a mês e o impacto que elas causam para o negócio. Com isso, a empresa não é pega de surpresa e fica pronta para lidar com estas situações.
Tomada de decisão assertiva
Os dados consolidados e relatórios detalhados oferecem insights precisos e permitem que a gestão tome decisões com base em informações reais, identifique novas medidas, ajuste controles internos e trace estratégias para diminuir as fraudes.
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Melhor avaliação de riscos
Com as informações e os insights gerados pelos KPIs de fraudes, as empresas podem não só ter novas ações para combater fraudes, assim como mapear novas áreas de vulnerabilidades e novos riscos. Essa abordagem faz com que a organização se mantenha à frente dos fraudadores e mitigue as ameaças.
Redução de custos
Com a tomada de ações visando reduzir fraudes, as empresas também sentem impactos positivos na diminuição de custos, já que ocorrem menos incidentes e gasta-se menos para se recuperar dos problemas.
Melhor alocação de recursos
Ao identificar quais modalidades de fraude representam maior impacto para o negócio, a organização consegue direcionar investimentos e orçamento para controles mais eficientes, evitando desperdícios e aumentando o retorno das iniciativas de segurança e combate a fraudes.
Quais perguntas os indicadores de fraude ajudam a responder?
Na prática, como mencionamos, esses indicadores funcionam como instrumentos de gestão. Em vez de avaliar cada incidente isoladamente, a empresa passa a analisar tendências, padrões e resultados de forma estruturada. Por meio deles, é possível responder perguntas como:
- As tentativas de fraude estão aumentando ou diminuindo?
- Quais canais concentram maior incidência de ataques?
- Quanto a empresa perdeu com fraudes no último trimestre?
- Qual é o tempo médio para identificar um incidente?
- Os controles atuais estão reduzindo efetivamente as perdas?
- Quais modalidades de fraude representam maior risco para o negócio?
13 indicadores de fraudes para monitorar de perto
1. Taxa de tentativas de fraude
Mede a quantidade de tentativas de fraude em relação ao volume total de transações, cadastros ou operações analisadas. Esse indicador revela aumento da atividade criminosa, sazonalidade de ataques, impacto de campanhas específicas e canais mais visados.
Um crescimento repentino pode indicar o início de uma nova ofensiva criminosa ou a exploração de uma vulnerabilidade recém-descoberta.
2. Taxa de detecção de fraudes e taxa de fraude confirmada
Estes estão entre os principais KPIs de fraudes, pois indicam a eficácia das estratégias e procedimentos para prevenir e detectar atividades fraudulentas. Quanto maior for a detecção, mais bem-sucedida a empresa está sendo.
Já, se a taxa de detecção for baixa, é sinal de que existem falhas em controles, processos e sistemas, resultando em fraudes comprovadas e exibindo o risco residual que escapou dos controles preventivos.
3. Tempo médio de detecção (MTTD)
Indica quanto tempo a empresa leva para identificar uma fraude após sua ocorrência. Calcula-se pela somatória dos tempos de detecção e dividida pelo total de fraudes detectadas. Quanto menor esse intervalo, melhor. Afinal, as fraudes detectadas rapidamente tendem a gerar menores perdas financeiras e reputacionais.
4. Tempo médio de resposta (MTTR)
Mede o tempo necessário para conter ou responder a um incidente após sua identificação. Pode envolver revogação de acessos, contenção de malwares, bloqueio de contas, suspensão de transações e/ou acionamento de investigação.
Esse indicador é amplamente utilizado em operações financeiras (em transações), telecom (com a pronta resposta a furtos e roubos de equipamentos) e ambientes digitais (com a resposta a incidentes digitais).
5. Tempo médio de resolução de fraudes
Trata-se do tempo necessário para investigar e resolver uma atividade fraudulenta, desde a detecção do problema até a conclusão do processo. Um tempo mais rápido, obviamente, indica maior agilidade da equipe na resposta e repressão.
Contudo, existem também investigações mais complexas, que exigem maior emprego de esforços e de tempo para se chegar na origem e descobrir todos os envolvidos e o modus operandi. Com essas informações em mãos, é possível responsabilizar os fraudadores e tomar medidas realmente eficazes contra esse tipo de fraude.
Por isso, é bom monitorar este indicador, mas não se apegar somente a ele ao analisar as investigações como um todo. No caso das apurações, vale a pena incluir outras métricas, como por exemplo, pessoas responsabilizadas.
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6. Índice de recuperação de valores
Essa métrica mede a eficácia na recuperação de ativos ou verbas perdidas em decorrência das fraudes. Aqui entram casos como:
- Reaver dinheiro desviado ou roubado;
- Reverter transações fraudulentas;
- Recuperar bens, equipamentos e outros itens furtados, roubados ou adquiridos ilegalmente por outros.
Essa taxa elevada indica uma alta capacidade de recuperação nas investigações. No entanto, vale lembrar que a recuperação depende não só dos processos e estratégias de investigação, como também da rapidez na identificação do problema para que o dinheiro não seja movimentado entre diversas contas e ainda da cooperação com os órgãos públicos.
7. Perda evitada
Estima o valor que teria sido perdido caso as fraudes identificadas não fossem bloqueadas. Esse KPI ajuda a demonstrar o retorno das áreas de prevenção, traduzindo a atuação antifraude em impacto financeiro positivo.
8. Índice de reincidência
Avalia quantos fraudadores ou grupos já haviam sido identificados em fraudes anteriores. Isso pode mostrar falha em estratégias para mitigar riscos já conhecidos, ou deficiência no compartilhamento interno de informações.
9. Índice de satisfação do cliente
Claro que é essencial monitorar os indicadores de fraude relacionados à operação e aos riscos que a empresa está suscetível. Mas também devemos observar os KPIs referentes ao cliente, já que muitas medidas antifraude geram impactos na experiência. Então, o índice de satisfação ajuda a verificar a percepção dos consumidores.
Quando as estratégias de segurança são eficientes e não comprometem a experiência, esse indicador cresce. Já um número baixo pode indicar que os processos de combate a fraudes geram frustrações.
Para se ter uma ideia da importância dessa taxa, 65% dos clientes já desistiram de comprar de uma empresa depois de uma experiência ruim, segundo a pesquisa CX Trends.
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10. Taxa de retenção de clientes
Ao falar em clientes, outra métrica relevante é a taxa de retenção, que também avalia o impacto das atividades antifraude e de segurança nas relações comerciais e na lealdade do consumidor à marca. Assim, um baixo número aqui pode refletir uma preocupação dos clientes sobre a segurança da marca.
Inclusive, para 90% dos brasileiros, a proteção de dados pessoais é um dos fatores mais importantes para as empresas conquistarem a sua confiança, de acordo com o estudo da PwC.
11. Taxa de falsos positivos
As medidas para detectar e combater fraudes também podem gerar casos de falsos positivos, quando uma transação legítima é identificada, de modo errado, como uma movimentação fraudulenta. Com essa taxa elevada, a empresa pode sofrer diversos problemas como:
- Custos extras para investigação da transação;
- Experiências negativas para os clientes e potencial perda do consumidor;
- Perda de receita por causa do bloqueio errôneo de transações legítimas.
12. Taxa de conformidade regulatória
A conformidade regulatória também causa preocupação em organizações de vários segmentos, já que, caso não sigam as normas, as empresas podem ser multadas. Então, é importante mapear e monitorar o cumprimento das legislações para garantir que as práticas antifraude atendam aos requisitos legais.
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13. ROI do programa antifraude
Avalia o retorno financeiro das iniciativas de prevenção, detecção e investigação. Por exemplo: se o programa custou R$ 1 milhão e evitou R$ 5 milhões em perdas, então, gerou um ROI de 400%. Esse KPI é extremamente útil para justificar orçamento e demonstrar valor estratégico para a liderança.
Extra: Taxa de chargeback
Além destes indicadores principais, existe uma série de KPIs de fraudes que podem se aplicar a diferentes setores de mercado. Um deles é o chargeback, muito comum em lojas e e-commerce. Este termo se refere à solicitação de cancelamentos de compras virtuais e ao pedido de reembolso por suspeita de fraude, erro na transação ou até problemas com produtos.
Calculamos essa taxa ao dividir o total de transações contestadas pelo total de transações realizadas. A partir daí, os gestores devem analisar os números da sua empresa e do mercado para ver a sustentabilidade financeira do negócio.
Como definir os indicadores de fraudes da sua empresa?
Cada empresa tem sua própria realidade e características e, por isso, precisa escolher os indicadores de fraudes que mais se adequam às suas necessidades. Veja elementos para determinar os seus KPIs:
Objetivo do negócio
Tenha em mente quais são os objetivos do negócio para crescimento, segurança, experiência do usuário, entre outros detalhes. Assim, é possível definir seu apetite a risco em relação às potenciais ameaças.
Riscos e ameaças da sua empresa
Faça um diagnóstico completo de suas operações e as principais ameaças e riscos de fraudes. Ao identificar estas possibilidades, é possível traçar indicadores certo para medir e calcular exatamente essas ameaças.
Periodicidade
Defina períodos para mensuração e análise dos indicadores. Por exemplo: você quer acompanhar a taxa de detecção de fraudes por dia, por semana ou por mês? Ao alinhar esse prazo específico para acompanhar os diversos KPIs, os gestores podem ter uma visão completa do cenário real da empresa e dos impactos das fraudes naquele momento determinado. Além disso, é possível comparar com outras épocas.
Capacidade de mensuração
Escolha indicadores de fraudes possíveis de serem monitorados. Não adianta incluir KPIs que você não consegue ter um número real, acessível e específico. Sem um dado concreto, você não terá base para tomadas de decisões.
Facilidade de acompanhamento
Selecione KPIs que podem ser mensurados com facilidade e simplicidade, além de terem representações com gráficos, tabelas e/ou relatórios. Afinal, indicadores que exigem processamentos complexos não são viáveis de monitorar e avaliar.
Então, com as informações coletadas e analisadas de forma fácil e rápida e apresentadas de modo visual, os líderes podem visualizar melhor e extrair insights valiosos para os negócios.
Responsável pelo indicador
Por fim, para coletar, processar e avaliar as métricas, é preciso ter responsáveis por acompanhar e gerenciar os resultados. Com essa determinação de função e responsabilidade, fica mais fácil garantir que as informações sejam realmente analisadas e não sejam negligenciadas.
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FAQ — Perguntas frequentes sobre indicadores de fraude
O que são indicadores de fraude?
Indicadores de fraude são métricas utilizadas para monitorar, medir e analisar a ocorrência de fraudes em uma organização. Eles ajudam a identificar tendências, avaliar a eficácia dos controles de prevenção, mensurar perdas financeiras e apoiar decisões estratégicas para reduzir riscos.
Qual a diferença entre indicadores, métricas e KPIs de fraude?
As métricas representam dados individuais, como o número de tentativas de fraude ou o valor das perdas. Os indicadores organizam essas métricas para mostrar tendências e apoiar análises. Já os KPIs são os indicadores estratégicos utilizados para avaliar o desempenho do programa de prevenção a fraudes em relação aos objetivos do negócio.
Quais são os principais indicadores de fraude?
Os principais indicadores incluem: taxa de tentativas de fraude, taxa de fraude confirmada, perdas financeiras, perdas evitadas, valor recuperado, tempo médio de detecção (MTTD), tempo médio de resposta (MTTR), taxa de falsos positivos, índice de reincidência e ROI do programa antifraude.
Como montar um dashboard de indicadores de fraude?
Um dashboard eficiente deve reunir indicadores estratégicos e operacionais em uma única visão, permitindo acompanhar tendências, comparar períodos e identificar rapidamente desvios que exijam ação.
Além dos gráficos, é importante incluir metas, alertas automáticos, séries históricas e segmentações por canal, produto ou modalidade de fraude.
Com que frequência os indicadores de fraude devem ser analisados?
Depende da criticidade da operação. Ambientes com grande volume de transações, como bancos, fintechs, telecomunicações e e-commerce, normalmente acompanham indicadores em tempo real.
Já análises estratégicas para a alta liderança costumam ser realizadas mensalmente ou trimestralmente.
Quais setores mais utilizam indicadores de fraude?
Praticamente todos os segmentos podem se beneficiar do monitoramento de indicadores, mas eles são especialmente relevantes para bancos, instituições financeiras, fintechs, empresas de telecomunicações, seguradoras, varejo, e-commerce, marketplaces, logística, saúde, meios de pagamento, entre outros.











